CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022
Com relação ao fluxo sanguíneo na coroide, podemos afirmar:
Coroide = maior fluxo sanguíneo/grama do corpo → nutrição da retina externa + dissipação de calor.
A coroide possui um fluxo sanguíneo altíssimo e baixa extração de oxigênio, funcionando como um dissipador térmico para proteger os fotorreceptores do calor gerado pela luz.
A coroide é a camada vascular do trato uveal, situada entre a esclera e a retina. Ela é composta por vasos de calibres progressivamente menores, culminando na coriocapilar. O fluxo sanguíneo coroidiano é caracterizado por ser de alto volume e baixa resistência, o que resulta em uma diferença arteriovenosa de oxigênio muito pequena. Essa característica é fundamental para manter uma alta pressão parcial de oxigênio (PO2) necessária para difundir o gás através do EPR até os fotorreceptores, que possuem uma das maiores taxas metabólicas do organismo. Além da função nutricional, a hemodinâmica coroidiana desempenha um papel crucial na estabilidade térmica do globo ocular. A energia luminosa focada na mácula é convertida em calor; sem o fluxo coroidiano para remover esse excesso térmico, haveria dano oxidativo e proteico irreversível aos segmentos externos dos cones e bastonetes. Portanto, a coroide não é apenas um leito vascular passivo, mas um componente dinâmico essencial para a homeostase visual.
O fluxo sanguíneo na coroide é um dos mais altos do corpo humano por unidade de peso. Sua principal função, além de fornecer oxigênio e nutrientes para o epitélio pigmentado da retina (EPR) e para os fotorreceptores (retina externa), é a termorregulação. A absorção de luz pelos pigmentos retinianos gera calor, que poderia danificar as células sensíveis; o alto fluxo coroidiano atua como um sistema de resfriamento, dissipando essa energia térmica de forma eficiente.
Diferente da circulação retiniana, que possui uma autorregulação robusta para manter o fluxo constante apesar de variações na pressão de perfusão, a circulação coroidiana apresenta uma autorregulação muito limitada. Ela é influenciada principalmente pelo sistema nervoso autônomo (inervação simpática e parassimpática). Isso a torna mais suscetível a variações sistêmicas, mas permite ajustes rápidos para funções como a dissipação de calor.
A retina possui uma dupla suprimento vascular. A circulação coroidiana (via coriocapilar) é responsável pela nutrição das camadas externas, incluindo os fotorreceptores e o EPR, correspondendo a cerca de 65-80% do oxigênio consumido pela retina total. Já a artéria central da retina supre as camadas internas (células ganglionares e bipolares). Na fóvea, onde não há vasos retinianos internos, a dependência da coroide é total.
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