CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2025
Qual dos fatores abaixo contribui para a transparência da córnea?
Transparência corneana = Fibrilas de colágeno paralelas, uniformes e com espaçamento regular.
A organização precisa das fibrilas de colágeno no estroma, mantida pela desidratação relativa via bomba endotelial, minimiza a dispersão da luz e garante a função óptica.
A córnea é o principal elemento refrativo do olho humano, e sua transparência é vital para a visão. Histologicamente, ela é composta por cinco camadas principais: epitélio, membrana de Bowman, estroma, membrana de Descemet e endotélio. O estroma é o grande responsável pela manutenção da forma e da clareza óptica. A disposição das fibrilas de colágeno em um padrão de rede quase cristalino é o que diferencia a córnea da esclera (que também é feita de colágeno, mas de forma desordenada e opaca). Além da organização estrutural, a homeostase bioquímica, mediada por proteoglicanos como o ceratã-sulfato e o condroitim-sulfato, garante que o espaçamento entre as fibras permaneça constante. Qualquer processo que altere essa arquitetura, seja por cicatrizes (leucoma) ou edema, resulta em opacificação.
O estroma corneano, que compõe cerca de 90% da espessura da córnea, é formado por lamelas de fibras de colágeno (principalmente tipo I). A transparência depende criticamente da organização ultraestrutural dessas fibrilas: elas possuem diâmetro uniforme e são dispostas de forma paralela e regular, com um espaçamento constante entre elas (menor que a metade do comprimento de onda da luz visível). Essa configuração, descrita pela teoria de Maurice, permite que a luz sofra interferência destrutiva em todas as direções, exceto na direção frontal, minimizando a dispersão (scattering) e permitindo a passagem clara das imagens para a retina.
A transparência da córnea exige um estado de detumescência (desidratação relativa, cerca de 78% de água). Isso é mantido pelo equilíbrio entre a pressão de tumescência do estroma (causada pelos glicosaminoglicanos que atraem água) e a função da bomba endotelial (Na+/K+ ATPase). O endotélio retira ativamente o excesso de água do estroma para o humor aquoso. Se o endotélio falha (como na Distrofia de Fuchs) ou se há trauma, o estroma incha (edema), desorganizando o arranjo regular das fibrilas de colágeno, o que resulta em perda da transparência e visão turva.
Em condições fisiológicas normais, a córnea é um tecido completamente avascular. A ausência de vasos sanguíneos é um fator fundamental para a sua transparência, pois o sangue e os vasos bloqueariam e dispersariam a luz. A nutrição da córnea é realizada por difusão a partir do humor aquoso (posteriormente), do filme lacrimal (anteriormente) e dos vasos do limbo (periferia). A presença de neovascularização corneana é sempre um sinal patológico, geralmente resultante de inflamação crônica, infecção ou hipóxia (como no uso inadequado de lentes de contato), e compromete seriamente a acuidade visual.
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