Contração Uterina: Fisiopatologia e Trabalho de Parto Prematuro

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma primigesta de 32 semanas e quatro dias chegou ao pronto-socorro referindo contrações uterinas regulares e dolorosas. Ao exame, apresentava pressão arterial de 110 x 70 mmHg, temperatura axilar de 36,8 ºC, altura uterina de 27 cm, batimentos cardíacos fetais de 152 bpm, dinâmica uterina de três contrações de quarenta segundos em dez minutos e colo do útero pérvio para 4 cm, com apresentação pélvica. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Na medida em que o feto está em apresentação pélvica, deve-se realizar cesariana imediatamente.
  2. B) Na fisiopatologia que gera esse quadro, o cálcio se liga à calmodulina para criar complexo que ativa a miosina quinase.
  3. C) É possível tentar a inibição do trabalho de parto prematuro, sendo a indometacina a melhor opção.
  4. D) O atosiban (inibidor de ocitocina) é contraindicado para a gestante em questão.
  5. E) A melhor opção é permitir a evolução para parto vaginal, não se indicando inibição.

Pérola Clínica

Contração uterina = cálcio intracelular + calmodulina → ativação miosina quinase → contração muscular.

Resumo-Chave

A contração uterina é um processo complexo que envolve a entrada de cálcio nas células miometriais, sua ligação à calmodulina e a subsequente ativação da quinase da cadeia leve da miosina (MLCK). Este complexo cálcio-calmodulina-MLCK fosforila a miosina, permitindo a interação com a actina e resultando na contração.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, e o entendimento de sua fisiopatologia é crucial para o manejo adequado. A contração uterina é um evento complexo, coordenado por uma série de sinais bioquímicos e mecânicos. No nível celular, o processo é desencadeado pelo aumento do cálcio intracelular nas células do miométrio. Este cálcio se liga à calmodulina, uma proteína reguladora, formando um complexo cálcio-calmodulina. Este complexo, por sua vez, ativa a quinase da cadeia leve da miosina (MLCK). A MLCK fosforila a cadeia leve da miosina, permitindo que a miosina interaja com a actina, levando ao encurtamento das fibras musculares e, consequentemente, à contração uterina. A compreensão desse mecanismo é fundamental para o desenvolvimento e a aplicação de agentes tocolíticos. No caso apresentado, a paciente está em trabalho de parto prematuro (32 semanas e 4 dias, colo pérvio para 4 cm). A inibição do trabalho de parto (tocolise) seria uma opção para permitir a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal. A apresentação pélvica em prematuros geralmente indica cesariana, mas a decisão não é imediata e depende de outros fatores. A alternativa correta foca no mecanismo fisiopatológico da contração, que é a base para a ação de muitos tocolíticos.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do cálcio na contração do músculo liso uterino?

O cálcio intracelular se liga à calmodulina, formando um complexo que ativa a quinase da cadeia leve da miosina (MLCK), essencial para a fosforilação da miosina e a contração.

Quais são as principais classes de tocolíticos e seus mecanismos?

Tocolíticos incluem beta-agonistas (terbutalina), bloqueadores de canais de cálcio (nifedipino), inibidores da síntese de prostaglandinas (indometacina) e antagonistas do receptor de ocitocina (atosiban), cada um agindo em diferentes vias da contração.

Quando a inibição do trabalho de parto prematuro é indicada?

A tocolise é indicada para prolongar a gestação por 48 horas, permitindo a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, o transporte para um centro terciário.

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