SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 15 anos de idade compareceu à sua primeira consulta com o ginecologista e relatou menarca aos 14 anos de idade. Refere que tem ciclos menstruais a cada 52 dias, com duração de sete dias de fluxo intenso, com uso de absorventes noturnos. Queixa-se também de acne e de pelos escurecidos. Nega dismenorreia. Acerca desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A regulação do ciclo ovariano depende da complexa interação entre os diferentes níveis de estímulo e controle da produção das gonadotrofinas e dos esteroides.
Ciclo menstrual = Orquestra entre GnRH, FSH, LH, Estrogênio e Progesterona.
A regulação do ciclo ovariano é um processo dinâmico de feedback positivo e negativo entre o hipotálamo, a hipófise anterior e os ovários, essencial para a ovulação.
O ciclo ovariano é um exemplo clássico de regulação endócrina complexa. Ele é dividido didaticamente em fase folicular e fase lútea. Durante a fase folicular, o recrutamento de uma coorte de folículos é dependente do FSH. A teoria das duas células explica a produção de esteroides: as células da teca produzem androgênios sob estímulo do LH, que são então aromatizados em estrogênios pelas células da granulosa sob estímulo do FSH. Em adolescentes, a imaturidade do centro hipotalâmico de pulsatilidade do GnRH pode levar a ciclos anovulatórios, resultando em sangramento uterino anormal por privação estrogênica ou excesso de proliferação endometrial sem oposição da progesterona. No entanto, quando acompanhado de acne e hirsutismo, o médico deve investigar causas de excesso de androgênios. A compreensão da fisiologia normal é o primeiro passo para identificar desvios patológicos como a SOP, hiperplasia adrenal congênita de início tardio ou tumores virilizantes.
A regulação depende do eixo Hipotálamo-Hipófise-Ovário (HPO). O hipotálamo libera o GnRH de forma pulsátil, estimulando a hipófise anterior a secretar as gonadotrofinas FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante). O FSH promove o crescimento folicular e a produção de estradiol. O estradiol exerce feedback negativo sobre a hipófise na maior parte do ciclo, mas, ao atingir níveis elevados e sustentados no final da fase folicular, desencadeia um feedback positivo que gera o pico de LH, responsável pela ovulação. Após a ovulação, o corpo lúteo produz progesterona, que regula a fase lútea e prepara o endométrio.
A paciente de 15 anos apresenta oligomenorreia (ciclos de 52 dias), fluxo intenso e sinais de hiperandrogenismo clínico (acne e hirsutismo/pelos escurecidos). Embora a irregularidade menstrual seja comum nos primeiros dois anos pós-menarca devido à imaturidade do eixo HPO, a presença de sinais androgênicos levanta a suspeita de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Na adolescência, o diagnóstico de SOP é mais rigoroso, exigindo a presença de oligomenorreia persistente e evidência clínica ou laboratorial de hiperandrogenismo, uma vez que a morfologia policística ao ultrassom é comum e inespecífica nessa faixa etária.
Os esteroides ovarianos (estrogênio e progesterona) são os principais mediadores do feedback no eixo HPO. O estradiol, em concentrações baixas a moderadas, inibe a secreção de GnRH e gonadotrofinas. A progesterona, produzida em grandes quantidades pelo corpo lúteo, inibe a frequência dos pulsos de GnRH, o que previne novos picos de LH durante a fase lútea. Esse sistema de controle fino garante que apenas um folículo dominante ovule na maioria dos ciclos e que o ambiente uterino seja sincronizado com o desenvolvimento embrionário potencial.
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