Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015
Com relação à fisiologia do ciclo menstrual, assinale a alternativa INCORRETA.
Gonadotrofinas (FSH/LH) estimulam a produção de IGF-II na granulosa e teca, não inibem.
As gonadotrofinas, especialmente o FSH e o LH, desempenham um papel crucial na regulação do crescimento folicular e na produção hormonal. Elas geralmente estimulam a produção de fatores de crescimento locais, como o IGF-II, tanto nas células da teca quanto da granulosa, que por sua vez potencializam a ação das gonadotrofinas, em vez de inibi-las. A alternativa C está incorreta porque descreve uma inibição pelas gonadotrofinas e uma estimulação seletiva que não corresponde à fisiologia.
A fisiologia do ciclo menstrual é um tema complexo e fundamental para a ginecologia e endocrinologia. Envolve uma intrincada orquestração entre o hipotálamo, a hipófise e os ovários, com feedback positivo e negativo de diversos hormônios. As gonadotrofinas, FSH (Hormônio Folículo-Estimulante) e LH (Hormônio Luteinizante), são os principais reguladores do desenvolvimento folicular e da produção hormonal ovariana. O desenvolvimento folicular ocorre em etapas, sendo que os estágios iniciais (até o folículo secundário) são independentes da estimulação das gonadotrofinas. A partir do estágio antral, o FSH torna-se essencial para o crescimento e maturação dos folículos. O LH, por sua vez, atua predominantemente nas células da teca, estimulando a produção de androgênios, que são então convertidos em estrogênios pelas células da granulosa sob a ação do FSH. A expressão dos receptores de LH na granulosa ocorre mais tardiamente, no estágio antral final, preparando o folículo para a ovulação. Fatores de crescimento locais, como o IGF-II (Fator de Crescimento Insulina-Símile II), são importantes moduladores da ação das gonadotrofinas no ovário. As gonadotrofinas, na verdade, estimulam a produção de IGF-II tanto nas células da teca quanto da granulosa, e o IGF-II potencializa a ação das gonadotrofinas, promovendo o crescimento folicular e a esteroidogênese. Portanto, a afirmação de que as gonadotrofinas inibem a produção de IGF-II pelas células da teca e estimulam apenas na granulosa luteinizada está incorreta, pois a relação é de estímulo e sinergismo em ambos os compartimentos. A inibina, por sua vez, é um hormônio que regula a secreção de FSH, sendo controlada pelo LH na fase lútea.
O LH (Hormônio Luteinizante) é essencial para a ovulação, induzindo a ruptura folicular e a luteinização das células da granulosa. Na fase folicular, ele estimula as células da teca a produzir androgênios, que são aromatizados em estrogênios pelas células da granulosa.
O desenvolvimento folicular inicial é independente de gonadotrofinas. A partir do estágio pré-antral, o FSH é crucial para o crescimento e maturação dos folículos, enquanto o LH atua principalmente nas células da teca e é fundamental para a ovulação e manutenção do corpo lúteo.
A inibina é um hormônio peptídico produzido pelas células da granulosa do folículo ovariano e pelo corpo lúteo. Sua principal função é inibir seletivamente a secreção de FSH pela hipófise anterior, participando do feedback negativo na regulação do ciclo menstrual.
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