MedEvo Simulado — Prova 2026
Um paciente de 62 anos, Sr. Arnaldo, tabagista e diabético, foi submetido a uma laparotomia exploradora de urgência devido a uma perfuração de víscera oca. No 10º dia de pós-operatório, durante a retirada dos pontos de pele, o cirurgião observa que a ferida apresenta bordos bem confrontados, mas com pouco tecido de granulação visível e uma aparência discretamente pálida. Com base nos conhecimentos avançados sobre a fisiologia da cicatrização e os princípios fundamentais em cirurgia, assinale a alternativa correta:
Macrófagos = Células-mestre → Debridamento + Secreção de TGF-β/PDGF para fibroplasia e angiogênese.
A cicatrização é coordenada pelos macrófagos, que transicionam da fase inflamatória para a proliferativa, recrutando fibroblastos e estimulando a síntese de matriz.
A cicatrização é um processo dinâmico dividido em fases sobrepostas: inflamatória, proliferativa e de maturação. A fase inflamatória começa imediatamente com a hemostasia e o recrutamento de neutrófilos, seguidos pelos macrófagos. A transição para a fase proliferativa é marcada pela fibroplasia, angiogênese e epitelização. Fatores sistêmicos como diabetes, tabagismo e desnutrição, presentes no caso clínico, prejudicam a função macrofágica e a síntese de colágeno, resultando em feridas pálidas e com pouco tecido de granulação. O conhecimento desses mecanismos é fundamental para o manejo de feridas complexas e prevenção de deiscências.
Os macrófagos são essenciais porque atuam em múltiplas frentes: realizam a fagocitose de detritos e patógenos (debridamento biológico) e, crucialmente, secretam citocinas e fatores de crescimento como TGF-β, PDGF e VEGF. Esses fatores recrutam fibroblastos, estimulam a produção de colágeno e promovem a angiogênese, permitindo a transição da fase inflamatória para a proliferativa.
O colágeno tipo III é o primeiro a ser depositado em grande quantidade pelos fibroblastos durante a fase de fibroplasia; ele possui fibras mais finas e desorganizadas. Durante a fase de maturação e remodelamento, o colágeno tipo III é gradualmente substituído pelo colágeno tipo I, que é mais espesso, organizado e responsável pela maior resistência tênsil do tecido cicatricial.
A resistência tênsil aumenta de forma lenta no início. Ao final da primeira semana, a força é mínima. O ganho mais expressivo ocorre entre a 3ª e 6ª semana. No entanto, a cicatriz nunca recupera a força total do tecido original, atingindo um máximo de cerca de 80% da resistência tênsil prévia após meses de remodelamento.
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