UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022
No contexto da pandemia de covid-19, surgem inúmeros desafios na assistência ao paciente grave. Há também um expressivo aumento dos casos críticos em gestantes, em que, além das questões com a condução de uma nova doença, é preciso inserir essa assistência no cenário de um organismo que passa por modificações fisiológicas que podem ser importantes fatores de confusão. Dessa forma, durante a gestação, é correto afirmar que:
Gestante em supina no 3º trimestre → compressão aortocava → ↓ retorno venoso e débito cardíaco.
A posição supina no terceiro trimestre de gestação pode levar à compressão da veia cava inferior e da aorta pelo útero gravídico, resultando em diminuição do retorno venoso, do enchimento cardíaco e, consequentemente, do débito cardíaco. Por isso, o decúbito lateral é preferível para evitar essa síndrome.
A gestação induz profundas modificações fisiológicas no organismo materno para suportar o desenvolvimento fetal. Compreender essas adaptações é crucial para diferenciar o normal do patológico, especialmente em situações de emergência ou doenças concomitantes como a COVID-19. As alterações cardiovasculares incluem aumento do volume sanguíneo, débito cardíaco e frequência cardíaca, enquanto a resistência vascular periférica diminui. Essas mudanças são essenciais para a perfusão uteroplacentária adequada. No terceiro trimestre, o útero gravídico pode comprimir grandes vasos, como a veia cava inferior e a aorta, quando a gestante está em decúbito dorsal. Essa compressão, conhecida como síndrome da hipotensão supina ou compressão aortocava, leva à diminuição do retorno venoso, do enchimento cardíaco e do débito cardíaco, podendo causar tontura, náuseas e até hipoperfusão uteroplacentária. Por isso, o decúbito lateral é a posição preferencial para evitar essa compressão. O reconhecimento dessas particularidades é fundamental para a prática clínica, permitindo um manejo adequado e seguro da gestante, seja em um trabalho de parto, em uma cirurgia ou em uma internação por doença grave. A falha em considerar essas adaptações pode levar a diagnósticos equivocados ou intervenções inadequadas, comprometendo a saúde materno-fetal e a segurança da paciente.
Na gestação, há aumento do volume sanguíneo, débito cardíaco, frequência cardíaca e diminuição da resistência vascular periférica para atender às demandas materno-fetais.
A posição supina pode causar compressão da veia cava inferior e da aorta pelo útero gravídico, reduzindo o retorno venoso, o débito cardíaco e a perfusão uteroplacentária, levando à síndrome da hipotensão supina.
A compressão aortocava diminui o retorno venoso para o coração, o que reduz o enchimento ventricular (pré-carga) e, consequentemente, o débito cardíaco, podendo causar sintomas maternos e comprometer o feto.
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