CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2009
A camada do filme lacrimal responsável pela sua distribuição uniforme sobre a superfície ocular é:
Camada de Mucina → converte superfície hidrofóbica em hidrofílica, garantindo adesão da lágrima.
A mucina, produzida pelas células caliciformes da conjuntiva, reduz a tensão superficial e permite que a camada aquosa se espalhe uniformemente sobre o epitélio corneano hidrofóbico.
A compreensão da fisiologia do filme lacrimal é fundamental para o diagnóstico e tratamento das doenças da superfície ocular. O filme lacrimal não é apenas 'água'; é um complexo fluido biológico que mantém a transparência óptica da córnea e protege o olho. Na prática clínica, a integridade da camada de mucina é avaliada indiretamente pelo Tempo de Ruptura Lacrimal (BUT). Um BUT baixo na presença de um teste de Schirmer normal sugere uma deficiência de mucina ou lipídios (olho seco evaporativo ou por instabilidade). O tratamento para deficiência de mucina envolve o uso de lubrificantes que mimetizam as propriedades mucoadesivas ou, em casos inflamatórios, o uso de ciclosporina tópica, que demonstrou aumentar a densidade de células caliciformes em pacientes com olho seco moderado a grave.
A camada de mucina é a interface mais interna do filme lacrimal, em contato direto com o epitélio corneano e conjuntival. Sua principal função é converter a superfície epitelial, que é naturalmente hidrofóbica (devido às membranas lipídicas das células), em uma superfície hidrofílica. As mucinas (como MUC1, MUC4, MUC16 no glicocálice e MUC5AC secretada) ancoram a camada aquosa à superfície ocular. Sem a mucina, a lágrima 'escorregaria' da córnea, formando áreas secas (dry spots) rapidamente, mesmo que a produção aquosa fosse normal. Ela também atua na lubrificação mecânica e na defesa contra patógenos, aprisionando microrganismos.
A maior parte da mucina solúvel do filme lacrimal é produzida pelas células caliciformes (goblet cells) localizadas na conjuntiva. O glicocálice (mucinas ligadas à membrana) é produzido pelas próprias células epiteliais da córnea e conjuntiva. A deficiência de mucina ocorre em condições que causam cicatrizes conjuntivais ou destruição das células caliciformes, como a síndrome de Stevens-Johnson, penfigoide ocular cicatricial, queimaduras químicas e hipovitaminose A. O uso crônico de colírios com conservantes (como o cloreto de benzalcônio) também pode reduzir a densidade dessas células, levando à instabilidade lacrimal.
O filme lacrimal é um sistema dinâmico triestratificado (embora modelos modernos sugiram uma transição mais gradual). A camada lipídica (externa, produzida pelas glândulas de Meibomius) reduz a evaporação e estabiliza a tensão superficial. A camada aquosa (intermediária, produzida pelas glândulas lacrimais) contém eletrólitos, proteínas e anticorpos, sendo responsável pelo volume e nutrição. A camada de mucina (interna) garante que a camada aquosa se espalhe e adira uniformemente. O equilíbrio entre elas é essencial; a falha em qualquer camada resulta em olho seco, seja por evaporação excessiva (lipídica) ou por má distribuição e instabilidade (mucina).
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