UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Paciente N.S.R. feminino, 50 anos, foi atendido e relatou inchaço das pernas e falta de ar com evolução de 5 meses. Encontra-se afebril, com estertores difusos à ausculta em base pulmonar. Frequência cardíaca de 80 bpm, regular, com divisão ampliada de S2. O RX de tórax mostra aumento da borda direita do coração com sinais de derrames pleurais bilaterais. A troponina sérica é I <0,4 ng/mL. O diagnóstico que mais se adequa ao quadro clínico acima é:
Fibrose pulmonar intersticial avançada → Hipertensão pulmonar → Cor pulmonale → Insuficiência cardíaca direita.
A fibrose pulmonar intersticial pode levar à hipertensão pulmonar e, consequentemente, à insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale), manifestando-se com dispneia, edema periférico, estertores e achados radiológicos de aumento de câmaras direitas e derrames pleurais. A divisão ampliada de S2 reforça a presença de hipertensão pulmonar.
A fibrose pulmonar intersticial é uma doença pulmonar crônica e progressiva que causa cicatrizes nos pulmões, dificultando a troca gasosa. Sua epidemiologia varia conforme o tipo, sendo a fibrose pulmonar idiopática a mais comum e grave. É crucial reconhecer seus sinais precocemente para um manejo adequado e para diferenciar de outras causas de dispneia e edema. A fisiopatologia envolve inflamação e fibrose do parênquima pulmonar, levando à hipóxia crônica e, frequentemente, à hipertensão pulmonar. Esta, por sua vez, sobrecarrega o ventrículo direito, resultando em cor pulmonale e insuficiência cardíaca direita. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, testes de função pulmonar e, principalmente, tomografia de alta resolução de tórax, que revela padrões característicos de fibrose. O tratamento visa retardar a progressão da doença e manejar os sintomas, incluindo terapias antifibróticas e suporte para a insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar. O prognóstico é variável e depende do tipo e da gravidade da fibrose. É fundamental que residentes saibam identificar a apresentação clínica de cor pulmonale secundário a doenças pulmonares crônicas.
Dispneia progressiva, tosse seca, estertores crepitantes ("velcro"), baqueteamento digital e, em casos avançados, sinais de hipertensão pulmonar e cor pulmonale como edema e ingurgitamento jugular.
A fibrose pulmonar leva à destruição do leito vascular pulmonar e hipóxia crônica, resultando em hipertensão pulmonar. A sobrecarga de pressão no ventrículo direito causa sua hipertrofia e eventual falência (cor pulmonale).
A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) de tórax é crucial, mostrando padrão de fibrose. Testes de função pulmonar revelam padrão restritivo e a biópsia pulmonar pode confirmar o diagnóstico.
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