UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 68a, procura atendimento com queixa de dispneia progressiva há um ano, agora aos pequenos esforços. Trabalhava como contador, agora aposentado. Antecedentes pessoais: extabagista (10 anosmaço) e hipertensão arterial sistêmica. Medicamentos em uso: losartana. Exame físico: vigil e orientado, baqueteamento digital, oximetria de pulso = 92% em ar ambiente. Ausculta pulmonar: estertores bilaterais, em velcro. Tomografia de tórax de alta resolução (IMAGEM Q11): Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, assinale a alternativa correta:
Dispneia progressiva + estertores em velcro + baqueteamento digital → Fibrose Pulmonar Idiopática.
A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença intersticial crônica e progressiva, limitada aos pulmões, que ocorre tipicamente em idosos e apresenta padrão de Pneumonia Intersticial Usual (UIP) na TCAR.
A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é a forma mais comum de pneumonia intersticial idiopática. Sua fisiopatologia envolve microlesões repetitivas no epitélio alveolar seguidas por um reparo aberrante, levando à proliferação de fibroblastos e deposição excessiva de matriz extracelular, resultando em perda da complacência pulmonar e distúrbio de troca gasosa. Clinicamente, o paciente típico é um homem acima de 60 anos, ex-tabagista, com dispneia de esforço insidiosa e tosse seca. O exame físico é marcado pelos estertores crepitantes finos no final da inspiração, comparados ao som de abertura de fecho de velcro. O diagnóstico diferencial inclui pneumonite de hipersensibilidade, sarcoidose e manifestações pulmonares de doenças reumatológicas.
O padrão de Pneumonia Intersticial Usual (UIP) na tomografia de alta resolução (TCAR) é caracterizado por opacidades reticulares, bronquiectasias de tração e, crucialmente, o faveolamento (honeycombing). Essas alterações têm distribuição tipicamente subpleural e basal, com gradiente crânio-caudal. A presença de faveolamento em um contexto clínico apropriado é altamente sugestiva de FPI e pode dispensar a biópsia pulmonar.
Atualmente, o tratamento baseia-se no uso de drogas antifibróticas, especificamente o nintedanibe (um inibidor de tirosina quinase) e a pirfenidona. Essas medicações não revertem a fibrose já instalada, mas são eficazes em reduzir a taxa de declínio da função pulmonar (medida pela Capacidade Vital Forçada - CVF) e diminuir a frequência de exacerbações agudas. O uso de corticoides isolados é contraindicado na FPI estável.
O baqueteamento digital (ou dedos em baqueta de tambor) é um sinal clínico de hipóxia crônica ou doenças pulmonares graves, como a FPI, câncer de pulmão e bronquiectasias. Na FPI, ele está presente em cerca de 25-50% dos pacientes e reflete a gravidade da doença intersticial. Sua presença deve sempre motivar uma investigação detalhada do parênquima pulmonar e da oxigenação sistêmica.
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