Fibrose Pulmonar Idiopática: Diagnóstico e Ausculta

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem, 72 anos, tabagista. Advogado aposentado. Refere dispneia progressiva grau 3 do Medical Research Council (mMRC3), associado à tosse seca há 4 anos. Exame físico: BEG, corado, cianótico, com baqueteamento digital. FR: 28 ipm. Sat O₂: 86% em ar ambiente. Com essas imagens observadas na Radiografia de Tórax e na Tomografia de Tórax. Assinale o ruído adventício mais provável encontrado na ausculta respiratória desse paciente.

Alternativas

  1. A) Estertores grossos difusos.
  2. B) Estertores finos difusos.
  3. C) Estertores fibróticos ou em velcro bilaterais.
  4. D) Roncos e sibilos difusos.

Pérola Clínica

Dispneia progressiva + baqueteamento + estertores em velcro → Fibrose Pulmonar Idiopática.

Resumo-Chave

A presença de estertores finos, inspiratórios, semelhantes ao som de abertura de um fecho de velcro, é característica de doenças intersticiais fibróticas.

Contexto Educacional

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma forma específica de pneumonia intersticial fibrosante crônica e progressiva, de causa desconhecida, que ocorre principalmente em adultos mais velhos e tabagistas. O quadro clínico típico envolve dispneia progressiva aos esforços e tosse seca persistente. O exame físico é rico em sinais semiológicos, destacando-se o baqueteamento digital e a ausculta de estertores finos (velcro) bilaterais. A fisiopatologia envolve microlesões repetitivas no epitélio alveolar seguidas de um reparo aberrante, levando à deposição excessiva de colágeno e destruição da arquitetura pulmonar. O prognóstico é reservado, e o tratamento foca em retardar a progressão com antifibróticos (nintedanibe ou pirfenidona) e avaliação para transplante pulmonar em casos selecionados.

Perguntas Frequentes

O que são estertores em velcro?

Os estertores em velcro são ruídos adventícios finos, descontínuos e de alta frequência, ouvidos predominantemente no final da inspiração. Eles recebem esse nome pela semelhança com o som de abrir um fecho de velcro. Na prática clínica, sua presença é um marcador clássico de doenças pulmonares intersticiais fibróticas, como a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI). Diferente dos estertores grossos, que mudam com a tosse ou posição, os estertores em velcro tendem a ser persistentes e localizados inicialmente nas bases pulmonares, progredindo superiormente conforme a doença avança.

Qual a relação entre baqueteamento digital e doenças pulmonares?

O baqueteamento digital, ou hipocratismo digital, é a proliferação de tecido conjuntivo na falange distal dos dedos, resultando em perda do ângulo de Lovibond. Em adultos, está fortemente associado a condições de hipoxemia crônica e inflamação sistêmica, sendo um achado comum no câncer de pulmão, bronquiectasias e doenças intersticiais como a FPI. Sua presença em um paciente com dispneia crônica e tosse seca deve elevar imediatamente a suspeita de uma patologia estrutural pulmonar grave, diferenciando-a de causas puramente obstrutivas como a asma.

Como a tomografia auxilia no diagnóstico da FPI?

A Tomografia Computadorizada de Alta Resolução (TCAR) é o padrão-ouro para avaliação de doenças intersticiais. Na FPI, o padrão típico é o de Pneumonia Intersticial Usual (PIU), caracterizado por faveolamento (honeycombing), bronquiectasias de tração e reticulado periférico e basal subpleural. A ausência de micronódulos ou áreas extensas de vidro fosco ajuda a confirmar o caráter fibrótico e crônico da lesão. O diagnóstico definitivo muitas vezes dispensa biópsia se o quadro clínico e o padrão tomográfico forem concordantes.

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