FPI: Interpretação da Espirometria no Padrão Restritivo

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente AN, sexo masculino, 68 anos, contador, ex tabagista( fumou num período de 12 anos, porem, não fuma há 38 anos). Hipertenso controlado e em uso de amlodipina e sem antecedentes de doenças pulmonares prévias, com queixa de dispneia progressiva aos esforços há 09 meses, atualmente com dispneia MRC 2. Sem outras queixas respiratorias. Interrogatório sobre os demais aparelhos: não relata queixas relacionadas aos demais aparelhos ou sistemas. Mora em casa de alvenaria de bom padrão e sem animais de estimação e sem hobbies. Ao exame físico encontra se em BEG, eupneico em repouso, acianótico, presença de hipocratismo digital. Ausculta torácica : bulhas cardíacas rítmicas e normofonéticas e sem sopros e com presença de estertores do tipo velcro em ambos terços inferiores. Abdomen flácido, sem visceromegalias. Sem edemas periféricos. Já solicitado e realizado tomografia computadorizada de tórax de alta resolução: presença de cistos de faveolamento, espessamento septal (padrão reticular), bilateral, de localização subpleural e em lobos inferiores associados a bronquioloectasias de tração (consistente com padrão PIU - pneumonite intersticial usual). Com hipótese diagnostica de fibrose pulmonar idiopática realizada espirometria com presença de distúrbio ventilatorio do tipo restritivo de grau moderado, com os valores abaixo:

Alternativas

  1. A) Capacidade vital forçada ( CVF) = 80% do previsto, relação VEF1/CVF = 65%
  2. B) Capacidade vital forçada ( CVF) = 83% do previsto, relação VEF1/CVF = 80%
  3. C) Capacidade vital forçada ( CVF) = 58% do previsto, relação VEF1/CVF = 85%
  4. D) Capacidade pulmonar total ( CPT ) = 75% do previsto.

Pérola Clínica

FPI: distúrbio ventilatório restritivo → CVF ↓, CPT ↓, VEF1/CVF normal/↑.

Resumo-Chave

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é caracterizada por um padrão de distúrbio ventilatório restritivo na espirometria. Isso significa que há uma redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e da Capacidade Pulmonar Total (CPT), enquanto a relação VEF1/CVF geralmente se mantém normal ou até aumentada.

Contexto Educacional

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença pulmonar intersticial crônica, progressiva e fibrosante de causa desconhecida, que afeta predominantemente idosos. É caracterizada por um padrão de Pneumonite Intersticial Usual (PIU) na tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) e na biópsia pulmonar. A FPI é uma das doenças pulmonares intersticiais mais graves, com prognóstico reservado e alta mortalidade. O diagnóstico da FPI é complexo e requer uma abordagem multidisciplinar, combinando dados clínicos, radiológicos e, por vezes, histopatológicos. A espirometria é fundamental para avaliar a função pulmonar, revelando um distúrbio ventilatório restritivo. Isso se manifesta por uma redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e da Capacidade Pulmonar Total (CPT), enquanto a relação VEF1/CVF (VEF1/CVF) permanece normal ou até aumentada, pois o fluxo expiratório não é primariamente obstruído. O tratamento da FPI visa retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida, utilizando antifibróticos como pirfenidona e nintedanibe. É crucial para o residente saber interpretar a espirometria e reconhecer os achados clínicos e radiológicos da FPI, como dispneia progressiva, estertores crepitantes tipo velcro e hipocratismo digital, para um diagnóstico precoce e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos da espirometria em um distúrbio ventilatório restritivo?

Os achados clássicos incluem uma Capacidade Vital Forçada (CVF) reduzida (<80% do previsto) e uma Capacidade Pulmonar Total (CPT) reduzida, com uma relação VEF1/CVF normal ou aumentada (>70-80%).

O que significa o padrão PIU na tomografia de tórax?

PIU (Pneumonite Intersticial Usual) é um padrão radiológico característico da FPI, que inclui faveolamento, espessamento septal reticular e bronquiolectasias de tração, predominantemente subpleural e em lobos inferiores.

Como o hipocratismo digital se relaciona com a FPI?

O hipocratismo digital (baqueteamento digital) é um sinal clínico comum em pacientes com FPI, indicando hipóxia crônica e é um achado importante no exame físico que sugere doença pulmonar intersticial avançada.

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