Fibrose Pulmonar Idiopática: Diagnóstico e Sinais Chave

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 69 anos de idade, natural e procedente de São Paulo é dentista. Tabagista de 20 maços-ano, apresenta dispneia e tosse seca há 2 anos, sem outras queixas. No exame clínico apresenta saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente e estertores em velcro bilaterais, sendo o restante do exame clínico normal. A radiografia e tomografia de tórax estão a seguir. A espirometria mostra VEF1 e CVF diminuídos com relação VEF1/CVF preservada. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Fibrose intersticial pulmonar idiopática.
  2. B) Doença pulmonar obstrutiva crônica.
  3. C) Pneumoconíose.
  4. D) Tuberculose pulmonar.

Pérola Clínica

Dispneia + tosse seca + estertores em velcro + padrão restritivo na espirometria + tabagismo → FPI.

Resumo-Chave

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença pulmonar intersticial crônica e progressiva, de causa desconhecida, que afeta principalmente idosos e tabagistas. A tríade clínica de dispneia progressiva, tosse seca e estertores em velcro bilaterais, associada a um padrão restritivo na espirometria e achados típicos na tomografia de tórax, sugere fortemente o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é a forma mais comum e grave das doenças pulmonares intersticiais crônicas, caracterizada por fibrose progressiva do parênquima pulmonar de causa desconhecida. Afeta predominantemente idosos, com histórico de tabagismo sendo um fator de risco importante. A doença leva a uma deterioração progressiva da função pulmonar, resultando em dispneia e tosse seca crônica, com um prognóstico geralmente reservado. O diagnóstico da FPI é desafiador e requer uma combinação de achados clínicos, radiológicos e funcionais. Clinicamente, os pacientes apresentam dispneia progressiva aos esforços e tosse seca persistente. Ao exame físico, os estertores crepitantes finos e secos, conhecidos como 'estertores em velcro', são um achado característico. A espirometria revela um padrão restritivo, com redução dos volumes pulmonares (VEF1 e CVF) e relação VEF1/CVF normal ou aumentada. A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) de tórax é essencial, mostrando o padrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU), com reticulação, faveolamento (honeycombing) e bronquiectasias de tração, predominantemente subpleurais e basais. O diagnóstico definitivo muitas vezes exige uma discussão multidisciplinar. O tratamento visa retardar a progressão da doença com antifibróticos, mas não há cura.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos que sugerem Fibrose Pulmonar Idiopática?

Os principais achados clínicos incluem dispneia progressiva aos esforços, tosse seca crônica e a presença de estertores crepitantes finos e secos, semelhantes a 'velcro', auscultados bilateralmente nas bases pulmonares, indicando fibrose pulmonar.

Como a espirometria se apresenta na Fibrose Pulmonar Idiopática?

A espirometria na FPI tipicamente mostra um padrão restritivo, com diminuição do VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e da CVF (capacidade vital forçada), mas com a relação VEF1/CVF preservada ou até aumentada, diferenciando-a de doenças obstrutivas.

Qual o papel da tomografia de tórax no diagnóstico da FPI?

A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) de tórax é fundamental, revelando um padrão de pneumonia intersticial usual (PIU), caracterizado por reticulação subpleural e basal, faveolamento (honeycombing) e bronquiectasias de tração, com distribuição predominantemente periférica e basal.

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