HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2021
A gravidez traz modificações na anatomia e na fisiologia respiratórias, o que influencia a função respiratória, causando dispneia ou afetando o curso de doenças pulmonares. Dentre as doenças que acometem mulheres gestantes se encontra a fibrose cística, a qual, por sua vez, pode ser diagnosticada durante a gravidez obtendo o material genético do feto com a amniocentese.Diante do enunciado, a alternativa que corresponde à correlação da fibrose cística e ao período gravídico da gestante é:
Fibrose cística na gestação → alto risco de insuficiência pancreática e outras complicações.
A fibrose cística é uma doença multissistêmica que afeta principalmente os pulmões e o pâncreas. Durante a gravidez, a insuficiência pancreática exócrina é uma manifestação comum, impactando a absorção de nutrientes e exigindo monitoramento e suplementação.
A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva que afeta as glândulas exócrinas, resultando na produção de muco espesso e pegajoso que obstrui ductos em vários órgãos, principalmente pulmões e pâncreas. A prevalência em gestantes tem aumentado devido à melhora na sobrevida das pacientes. É crucial reconhecer que a gravidez em mulheres com FC é considerada de alto risco, exigindo acompanhamento especializado. A fisiopatologia da FC envolve mutações no gene CFTR, que codifica um canal de cloro. Isso leva a um transporte iônico deficiente e secreções anormais. No pâncreas, a obstrução dos ductos causa insuficiência pancreática exócrina, resultando em má absorção de nutrientes. O diagnóstico fetal pode ser realizado por amniocentese para análise genética, especialmente em casais com risco conhecido. O manejo da FC na gravidez visa otimizar a saúde materna e fetal. Isso inclui monitoramento rigoroso da função pulmonar, controle glicêmico (devido ao risco de diabetes relacionado à FC), suporte nutricional intensivo com enzimas pancreáticas e vitaminas lipossolúveis, e tratamento agressivo de infecções pulmonares. O prognóstico materno e fetal depende da gravidade da doença pulmonar e do estado nutricional pré-gestacional.
As principais complicações incluem piora da função pulmonar, insuficiência pancreática exócrina, diabetes gestacional, restrição de crescimento fetal e parto prematuro. O manejo multidisciplinar é fundamental.
A fibrose cística causa insuficiência pancreática exócrina, levando à má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. Na gestação, isso pode agravar a desnutrição materna e afetar o desenvolvimento fetal, exigindo suplementação enzimática e vitamínica.
A amniocentese pode ser indicada para diagnóstico de fibrose cística fetal em gestações de alto risco, como quando ambos os pais são portadores conhecidos de mutações do gene CFTR, permitindo aconselhamento genético e planejamento do cuidado.
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