Fibrose Cística: Genética, Mutações e Manifestações Clínicas

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022

Enunciado

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva caracterizada pela disfunção do gene CFTR (cystic fibrosis transmembrane conductance regulator). Sobre a FC, é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A FC ocorre mais frequentemente em populações descendentes de caucasianos com sobrevida mediana de 37 anos nos países desenvolvidos.
  2. B) Existem cerca de 1.800 mutações que comprometem a biossíntese da proteína CFTR por diferentes mecanismos moleculares, sendo que a mutação mais frequente e mais estudada é a F508del: ausência de 3 nucleotídeos sequenciais (uma citosina e duas guaninas), levando a delação (del) de um resíduo de fenilalanina (F) na posição 508 da proteína.
  3. C) Na forma clássica da FC, a CFTR está essencialmente ausente e, por isso, é responsável por um amplo gama de manifestações clínicas, como insuficiência pancreática exócrina, doença sino-pulmonar crônica e progressiva, infertilidade e concentração elevada de cloretos no suor.
  4. D) A FC “atípica” é responsável por manifestações mais sutis da doença, muitas vezes únicas, sendo que o diagnóstico é feito, algumas vezes, só na vida adulta.

Pérola Clínica

F508del é a mutação mais comum na FC, mas é uma DELEÇÃO de 3 nucleotídeos, não ausência de citosina e guaninas.

Resumo-Chave

A mutação F508del na Fibrose Cística é a mais frequente e consiste na deleção de três nucleotídeos (CTT) no gene CFTR, resultando na perda de um resíduo de fenilalanina na posição 508 da proteína, e não na ausência de citosina e guaninas como descrito na alternativa incorreta.

Contexto Educacional

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR (cystic fibrosis transmembrane conductance regulator). Este gene codifica uma proteína que atua como um canal de cloreto, essencial para o transporte de íons e água através das membranas celulares. A disfunção do CFTR leva à produção de secreções espessas e pegajosas em vários órgãos, principalmente pulmões, pâncreas, fígado e intestino, e glândulas sudoríparas. É mais prevalente em populações caucasianas, com avanços no tratamento que têm aumentado a sobrevida mediana. Existem mais de 2.000 mutações identificadas no gene CFTR, classificadas em diferentes classes de acordo com o impacto na função da proteína. A mutação F508del é a mais comum, presente em cerca de 70% dos alelos de FC globalmente. Ela consiste na deleção de três nucleotídeos (CTT) no éxon 10 do gene CFTR, o que resulta na ausência de um resíduo de fenilalanina na posição 508 da proteína. Essa deleção impede o correto dobramento da proteína CFTR, levando à sua degradação antes de atingir a membrana celular, resultando em ausência ou redução drástica da função do canal de cloreto. A forma clássica da FC, geralmente associada a mutações mais graves como a F508del homozigótica, manifesta-se com insuficiência pancreática exócrina (má absorção, esteatorreia), doença sino-pulmonar crônica e progressiva (infecções recorrentes, bronquiectasias), infertilidade masculina (azoospermia obstrutiva) e teste do suor positivo (cloretos elevados). Já a FC atípica, com mutações que permitem alguma função residual do CFTR, pode apresentar manifestações mais brandas ou restritas a um único órgão, com diagnóstico muitas vezes tardio na vida adulta, como pancreatite idiopática recorrente ou infertilidade isolada. O conhecimento detalhado dessas mutações e suas consequências é fundamental para o diagnóstico, prognóstico e desenvolvimento de terapias-alvo.

Perguntas Frequentes

Qual a mutação mais comum na Fibrose Cística e o que ela causa?

A mutação mais comum é a F508del, que consiste na deleção de três nucleotídeos (CTT) no gene CFTR. Isso resulta na perda de um resíduo de fenilalanina na posição 508 da proteína CFTR, levando a um dobramento incorreto e degradação precoce da proteína.

Quais são as principais manifestações clínicas da forma clássica da Fibrose Cística?

A forma clássica da FC é caracterizada por insuficiência pancreática exócrina, doença sino-pulmonar crônica e progressiva (com infecções respiratórias recorrentes e bronquiectasias), infertilidade masculina (por ausência congênita bilateral dos vasos deferentes) e concentração elevada de cloretos no suor.

Como a Fibrose Cística atípica se diferencia da forma clássica?

A FC atípica apresenta manifestações mais sutis e, por vezes, únicas, com a função da proteína CFTR parcialmente preservada. O diagnóstico pode ser mais tardio, frequentemente na vida adulta, e os sintomas podem ser menos graves ou restritos a um único sistema orgânico, como pancreatite recorrente ou infertilidade isolada.

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