HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
A fibrose cística (FC) é a doença autossômica recessiva mais comum e potencialmente letal nas populações caucasianas. As principais causas de mortalidade dos pacientes com FC são as recorrentes infeções respiratórias em função do aumento na viscosidade do muco. O aumento da viscosidade dos fluidos secretados causa também insuficiência pancreática exócrina e infertilidade masculina. Mutações no gene regulador de condutância transmembrana de fibrose cística (CFTR) são o motivo para a deficiência no transporte de íons cloro (Cl-), que leva ao aumento da viscosidade dos fluídos como o muco. Em relação ao texto, analise as asserções abaixo e a relação proposta entre elas: I. A diminuição na excreção de Cl- pela célula faz com que o muco fique mais viscoso; PORQUE; II. A manutenção de taxas elevadas de Cl- intracelular faz com que a célula fique hipotônica em relação ao meio externo, provocando um aumento, por osmose, da entrada de água no espaço intracelular. Agora, assinale a alternativa correta:
FC: mutação CFTR → ↓ excreção Cl- → muco desidratado e viscoso.
Na fibrose cística, a mutação no gene CFTR impede a saída adequada de íons cloreto da célula. Isso leva à retenção de sódio e água dentro da célula e, consequentemente, à desidratação do muco nas superfícies epiteliais, tornando-o espesso e viscoso.
A fibrose cística (FC) é a doença autossômica recessiva letal mais comum em populações caucasianas, representando um desafio significativo na pediatria e clínica médica. Sua compreensão aprofundada é vital para o diagnóstico precoce e manejo adequado. A doença é causada por mutações no gene CFTR, que codifica um canal de cloro transmembrana, essencial para o transporte de íons e água em diversas glândulas exócrinas. A fisiopatologia central da FC reside na deficiência do transporte de íons cloro (Cl-) através das membranas celulares. A falha na excreção de Cl- resulta na retenção de sódio (Na+) e água dentro das células, levando à desidratação das secreções na superfície epitelial. Isso faz com que o muco se torne anormalmente espesso e viscoso, obstruindo ductos e vias em órgãos como pulmões, pâncreas e trato reprodutor. Essa viscosidade aumentada do muco é a base para as manifestações clínicas, como infecções respiratórias crônicas, insuficiência pancreática exócrina e infertilidade masculina. O diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar são cruciais para melhorar a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes com FC.
O gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator) codifica uma proteína que atua como um canal de cloro nas membranas celulares. Mutações nesse gene resultam em um canal de cloro disfuncional ou ausente, comprometendo o transporte de íons e água através das membranas epiteliais.
A diminuição na excreção de Cl- pelas células epiteliais leva à retenção de sódio (Na+) e água dentro da célula, e à consequente desidratação das secreções na superfície externa. Isso faz com que o muco se torne espesso, pegajoso e mais difícil de ser eliminado, obstruindo ductos e vias aéreas.
As principais manifestações incluem infecções respiratórias recorrentes e crônicas devido ao muco viscoso nas vias aéreas, insuficiência pancreática exócrina (levando à má absorção), e infertilidade masculina (por obstrução do ducto deferente). Outros órgãos, como o fígado e as glândulas sudoríparas, também podem ser afetados.
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