Fibrose Cística: Sinais Chave e Diagnóstico Precoce

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

Maria Júlia é atendida aos 22 meses em ambulatório de especialidades com quadro de tosse crônica, sibilância persistente, atraso de desenvolvimento pondero-estatural. A mãe informa um episódio de pneumonia e duas internações por desidratação no último ano. No período neonatal, foi submetida a laparotomia exploradora por íleo meconial e peritonite secundária à perfuração intestinal. A mãe tem 25 anos, primigesta com pré-natal sem intercorrências e USG normal, asmática controlada. O diagnóstico clínico sugere

Alternativas

  1. A) asma não controlada.
  2. B) deficiência de G6PD.
  3. C) bronquiolite obliterante.
  4. D) doença do refluxo gastroesofágico.
  5. E) fibrose cística.

Pérola Clínica

Íleo meconial + tosse crônica/sibilância + atraso pondero-estatural + infecções/desidratação recorrentes = Fibrose Cística.

Resumo-Chave

A fibrose cística é uma doença genética multissistêmica que afeta principalmente os sistemas respiratório e digestório. A história de íleo meconial no período neonatal é um forte indicativo, complementada por sintomas como tosse crônica, sibilância persistente, atraso no desenvolvimento e infecções/desidratações recorrentes.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva, causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), que codifica uma proteína responsável pelo transporte de íons cloreto. Essa disfunção leva à produção de secreções espessas e pegajosas em diversos órgãos, principalmente pulmões, pâncreas, fígado e intestino, resultando em uma ampla gama de manifestações clínicas. A suspeita diagnóstica deve ser alta em crianças com um quadro multissistêmico. O caso de Maria Júlia é um exemplo clássico de apresentação de fibrose cística. A história de íleo meconial no período neonatal é um achado quase patognomônico da doença, ocorrendo em 10-20% dos pacientes. A tosse crônica e sibilância persistente, juntamente com episódios de pneumonia, indicam o acometimento pulmonar progressivo. O atraso de desenvolvimento pondero-estatural e as internações por desidratação sugerem a insuficiência pancreática exócrina e a má absorção intestinal, características da FC. O diagnóstico definitivo é feito pelo teste do suor (cloreto no suor > 60 mEq/L) ou pela identificação de duas mutações causadoras da doença no gene CFTR. O tratamento é complexo e multidisciplinar, visando controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. O reconhecimento precoce é fundamental para iniciar o tratamento e acompanhamento adequados, impactando significativamente o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da fibrose cística em crianças?

A fibrose cística manifesta-se com sintomas respiratórios (tosse crônica, sibilância, infecções pulmonares recorrentes), gastrointestinais (íleo meconial neonatal, má absorção, atraso de crescimento, desidratação recorrente) e suor salgado.

Por que o íleo meconial é um forte indicador de fibrose cística?

O íleo meconial, uma obstrução intestinal causada por mecônio espesso e pegajoso no recém-nascido, ocorre em cerca de 10-20% dos casos de fibrose cística e é considerado um achado patognomônico para a doença.

Como a fibrose cística afeta o desenvolvimento pondero-estatural?

A fibrose cística causa má absorção de nutrientes devido à insuficiência pancreática exócrina, levando à desnutrição e consequente atraso no desenvolvimento pondero-estatural, mesmo com ingestão calórica adequada.

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