Fibrose Cística: Sinais e Diagnóstico em Crianças

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar de 4 anos foi trazido à Emergência por pico febril isolado de 37,8o C e tosse produtiva, quadro com início há 2 dias. A mãe informou que o filho, nascido com 35 semanas de idade gestacional, vinha tendo problemas respiratórios recorrentes desde os 3 meses de vida. Referiu 4 internações prévias por sibilância com pneumonia associada, uso de oxigenoterapia por cânula nasal e antibioticoterapia. Segundo ela, o filho nunca ficava completamente assintomático após as altas, persistindo com tosse diária. À admissão, o pediatra teve a impressão de que a criança não estava crescendo adequadamente e colocou as medidas do dia nas curvas de crescimento: peso e estatura encontravam-se no escore Z -3. Constatou, também, baqueteamento digital bilateralmente. O exame físico revelou leve tiragem subcostal, e a ausculta pulmonar, estertores bolhosos difusos e sibilos telexpiratórios esparsos. Não havia outros achados significativos. Com base nesses dados, foi instituído o tratamento indicado para quadro agudo e recomendou-se que a criança fosse investigada pela possibilidade de

Alternativas

  1. A) cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica.
  2. B) fibrose cística.
  3. C) displasia broncopulmonar.
  4. D) asma grave

Pérola Clínica

Criança com infecções respiratórias recorrentes, falha de crescimento e baqueteamento digital → suspeitar de Fibrose Cística.

Resumo-Chave

A Fibrose Cística deve ser fortemente suspeitada em crianças com história de infecções respiratórias recorrentes (pneumonia, sibilância), tosse crônica, falha de crescimento (baixo peso e estatura) e achados como baqueteamento digital e estertores bolhosos difusos. Estes são sinais clássicos de envolvimento pulmonar e gastrointestinal da doença.

Contexto Educacional

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR, que codifica uma proteína reguladora da condutância transmembrana. Afeta principalmente as glândulas exócrinas, resultando em secreções espessas e viscosas que obstruem ductos e órgãos, como pulmões, pâncreas, fígado e intestino. É uma das doenças genéticas mais comuns em populações caucasianas, com uma incidência significativa que justifica a triagem neonatal em muitos países. A fisiopatologia da FC leva a um acúmulo de muco espesso nas vias aéreas, predispondo a infecções bacterianas crônicas e inflamação, que resultam em bronquiectasias e doença pulmonar progressiva. No pâncreas, a obstrução dos ductos leva à insuficiência pancreática exócrina, causando má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis, o que contribui para a falha de crescimento. O diagnóstico é suspeitado por um conjunto de achados clínicos como infecções respiratórias recorrentes, tosse crônica, falha de crescimento, baqueteamento digital e esteatorreia. A triagem neonatal para FC permite o diagnóstico precoce e o início do tratamento antes do aparecimento de sintomas graves. O tratamento da FC é multidisciplinar e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui fisioterapia respiratória, antibióticos para infecções pulmonares, enzimas pancreáticas para má absorção, suplementos vitamínicos e, mais recentemente, moduladores do CFTR. O prognóstico da FC tem melhorado significativamente nas últimas décadas devido aos avanços no diagnóstico e tratamento. Residentes devem estar atentos aos sinais e sintomas da FC para um diagnóstico precoce, que é crucial para o manejo eficaz da doença e para evitar danos irreversíveis aos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Fibrose Cística em crianças?

Os principais sinais e sintomas incluem infecções respiratórias recorrentes (pneumonia, bronquiolite, sibilância), tosse crônica produtiva, falha de crescimento (baixo peso e estatura), baqueteamento digital, esteatorreia (fezes volumosas e gordurosas) e, em recém-nascidos, íleo meconial.

Qual o exame padrão-ouro para o diagnóstico de Fibrose Cística?

O exame padrão-ouro para o diagnóstico de Fibrose Cística é o teste do suor, que mede a concentração de cloreto no suor. Um resultado elevado (>60 mEq/L) é indicativo da doença, que deve ser confirmada por teste genético.

Por que o baqueteamento digital e a falha de crescimento são comuns na Fibrose Cística?

O baqueteamento digital é um sinal de doença pulmonar crônica e hipóxia. A falha de crescimento ocorre devido à má absorção de nutrientes causada pela insuficiência pancreática exócrina (deficiência de enzimas digestivas) e ao aumento do gasto energético devido às infecções respiratórias crônicas.

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