Fibrose Cística: Diagnóstico e Sinais de Alerta em Crianças

UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar de 3 anos, apresenta quadros recorrentes de sibilância e tosse desde 1 mês de vida. Apresenta tosse diariamente, produtiva, não apresentando períodos de remissão dos sintomas. Já ficou internado algumas vezes por pneumonia. Apresenta peso e estatura abaixo do Z score -2 e segundo a mãe sempre teve dificuldade em ganhar peso, apesar de alimentar-se bem. Já vem realizando tratamento com corticóide inalatório em dose alta sem melhora. Ao exame físico apresenta aumento do diâmetro ântero-posterior do tórax, presença discreta de tiragens, ausculta com estertores grossos, finos e sibilos bilateralmente. Diante do quadro apresentado, assinale a hipótese diagnóstica mais provável e o exame a ser realizado para confirmação diagnóstica, respectivamente.

Alternativas

  1. A) asma - espirometria com prova broncodilatadora
  2. B) aspiração de corpo estranho - tomografia de tórax
  3. C) fibrose cística - teste do suor
  4. D) discinesia ciliar primária - teste da sacarina
  5. E) sinusite crônica - tomografia de seios da face

Pérola Clínica

Sibilância + Pneumonia repetição + Baixo peso + Estertores = Fibrose Cística → Teste do suor.

Resumo-Chave

O quadro clínico de sibilância e pneumonia de repetição, associado a baixo ganho ponderal e achados pulmonares crônicos, mesmo com tratamento para asma, é altamente sugestivo de fibrose cística. O teste do suor é o exame padrão-ouro para sua confirmação diagnóstica, medindo a concentração de cloreto.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR, que codifica uma proteína reguladora da condutância transmembrana. Essa disfunção leva à produção de secreções espessas e viscosas em múltiplos órgãos, principalmente pulmões, pâncreas e trato gastrointestinal. É uma das doenças genéticas mais comuns na população caucasiana e deve ser sempre considerada em crianças com sintomas respiratórios crônicos e dificuldade de ganho ponderal. Clinicamente, a FC manifesta-se com doença pulmonar crônica (tosse, sibilância, infecções de repetição, bronquiectasias), insuficiência pancreática exócrina (má absorção, esteatorreia, desnutrição), e, em alguns casos, doença hepática e infertilidade masculina. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e exame físico, que pode revelar desnutrição, baqueteamento digital e achados pulmonares como estertores e sibilos. A falha no tratamento da asma com corticoides inalatórios em doses altas, como no caso, reforça a necessidade de investigar outras etiologias. A confirmação diagnóstica é feita primariamente pelo teste do suor, que demonstra níveis elevados de cloreto. Outros exames incluem o teste genético para mutações do CFTR e, em alguns casos, testes de função pancreática. O tratamento é multidisciplinar, focado em desobstrução das vias aéreas, antibioticoterapia para infecções, reposição enzimática pancreática e suporte nutricional. O diagnóstico precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas que sugerem fibrose cística em crianças?

Os principais sinais incluem sibilância e tosse crônica, pneumonias de repetição, dificuldade em ganhar peso e crescer (apesar de boa alimentação), fezes volumosas e gordurosas (esteatorreia), e história familiar de fibrose cística. O aumento do diâmetro anteroposterior do tórax e estertores são achados pulmonares comuns.

Como é realizado o teste do suor e qual sua importância no diagnóstico da fibrose cística?

O teste do suor é o padrão-ouro para o diagnóstico da fibrose cística. Ele mede a concentração de cloreto no suor, que é elevada em pacientes com a doença devido a uma disfunção do canal de cloro CFTR. A coleta é feita por estimulação com pilocarpina e análise laboratorial.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da fibrose cística em crianças com sintomas respiratórios crônicos?

Os diagnósticos diferenciais incluem asma grave ou refratária, discinesia ciliar primária, imunodeficiências primárias, aspiração de corpo estranho, refluxo gastroesofágico com aspiração e bronquiectasias de outras etiologias. A avaliação completa é essencial para diferenciar essas condições.

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