Fibrose Cística: Diagnóstico e Sinais Clínicos Chave

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar de três anos, muito irritado, é levado para atendimento médico por apresentar quadro de diarreia crônica com fezes que flutuam na superfície do vaso de odor muito fétido, com perda de peso e dor abdominal. Tem história perinatal de fezes espessas, com dificuldade para evacuar. Ao exame físico, apresenta hepatomegalia. De acordo com a história clínica, qual a hipótese e o exame a ser solicitado para confirmação do diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Fibrose cística – Dosagem de Sódio e Cloro no suor.
  2. B) Doença Celíaca – Dosagem de Anticorpo antitransglutaminase IgA.
  3. C) Doença de Crohn – Colonoscopia com biópsia de intestino delgado.
  4. D) Abetalipoproteinemia – Análise lipídica em jejum na criança e nos pais.

Pérola Clínica

Fibrose cística: diarreia crônica com esteatorreia + história de íleo meconial → teste do suor para Cloro.

Resumo-Chave

A fibrose cística deve ser suspeitada em crianças com diarreia crônica, esteatorreia e história de íleo meconial ou fezes espessas no período neonatal. A hepatomegalia pode indicar comprometimento hepático. O teste do suor é o padrão ouro para confirmação diagnóstica.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR, que afeta principalmente as glândulas exócrinas. É uma das doenças genéticas mais comuns na população caucasiana, com incidência de aproximadamente 1:2.500 a 1:3.000 nascidos vivos. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo e melhora do prognóstico, sendo a triagem neonatal um pilar fundamental. A fisiopatologia da FC envolve a disfunção do canal de cloro CFTR, levando à produção de secreções espessas e viscosas em múltiplos órgãos, como pâncreas, pulmões, fígado e intestino. No trato gastrointestinal, a insuficiência pancreática exócrina resulta em má absorção de gorduras (esteatorreia), vitaminas lipossolúveis e proteínas, causando diarreia crônica, perda de peso e dor abdominal. A história de íleo meconial é patognomônica em neonatos. O teste do suor, com dosagem de cloreto > 60 mEq/L, é o método confirmatório principal. O tratamento da FC é multidisciplinar e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui reposição de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica, fisioterapia respiratória, antibióticos para infecções pulmonares e, mais recentemente, moduladores do CFTR. O acompanhamento regular e a adesão ao tratamento são essenciais para residentes que lidam com pacientes pediátricos com FC.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da fibrose cística em crianças?

Os sinais incluem diarreia crônica com esteatorreia (fezes gordurosas e fétidas), perda de peso, dor abdominal, infecções respiratórias recorrentes e, no período neonatal, íleo meconial.

Qual o exame padrão ouro para confirmar o diagnóstico de fibrose cística?

O teste do suor, que mede a concentração de cloreto e sódio no suor, é o exame padrão ouro para confirmar o diagnóstico de fibrose cística.

Por que a história de fezes espessas no período neonatal é relevante para o diagnóstico de fibrose cística?

Fezes espessas e dificuldade para evacuar no período neonatal podem indicar íleo meconial, uma obstrução intestinal causada por mecônio anormalmente espesso, que é uma manifestação comum da fibrose cística.

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