Fibrose Cística em Lactentes: Conduta Inicial e Diagnóstico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um menino com três meses de vida teve diagnóstico de fibrose cística pelo teste de triagem neonatal e duas amostras do teste do suor. Foi levado à consulta ambulatorial totalmente assintomático. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) introdução de dornase-alfa inalatória
  2. B) análise da elastase fecal
  3. C) realização de tomografia de tórax
  4. D) realização de espirometria
  5. E) não indicar suplementação de sódio por enquanto

Pérola Clínica

Fibrose cística (3m, assintomático) → Avaliar função pancreática com elastase fecal.

Resumo-Chave

Em um lactente com diagnóstico confirmado de fibrose cística, mesmo que assintomático, a avaliação da função pancreática exócrina é uma das primeiras condutas essenciais. A elastase fecal é um marcador não invasivo e sensível para identificar insuficiência pancreática, que afeta a maioria dos pacientes com fibrose cística e requer reposição enzimática.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR, que afeta principalmente os pulmões, pâncreas, fígado e intestino. O diagnóstico precoce, muitas vezes pela triagem neonatal (teste do pezinho) e confirmado pelo teste do suor, é crucial para iniciar o manejo antes do desenvolvimento de complicações. A doença tem uma prevalência significativa e é uma das condições genéticas mais comuns em populações caucasianas. A fisiopatologia da FC envolve a disfunção do canal de cloro CFTR, levando à produção de secreções espessas e viscosas. No pâncreas, isso resulta em obstrução dos ductos, autodigestão e insuficiência pancreática exócrina, que afeta cerca de 85-90% dos pacientes. O diagnóstico da insuficiência pancreática é fundamental para iniciar a reposição enzimática. A elastase fecal é um método não invasivo e confiável para avaliar essa função, sendo uma das primeiras investigações após o diagnóstico confirmado, mesmo em pacientes assintomáticos. O tratamento da FC é multidisciplinar e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Em um lactente assintomático com diagnóstico confirmado, a conduta inicial inclui a avaliação da função pancreática (elastase fecal), suplementação de vitaminas lipossolúveis e, em muitos casos, suplementação de sódio. A dornase-alfa e a espirometria são indicadas em fases mais avançadas da doença pulmonar, geralmente em crianças maiores. O prognóstico da FC tem melhorado drasticamente com o diagnóstico precoce e o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Por que a análise da elastase fecal é importante no diagnóstico de fibrose cística?

A elastase fecal é um marcador da função pancreática exócrina. Níveis baixos indicam insuficiência pancreática, uma complicação comum na fibrose cística que requer reposição enzimática para evitar má absorção e desnutrição.

Quando a dornase-alfa inalatória é indicada na fibrose cística?

A dornase-alfa é indicada para pacientes com fibrose cística a partir de 6 anos de idade, com doença pulmonar estabelecida, para reduzir a viscosidade do muco e melhorar a função pulmonar. Não é conduta inicial para um lactente assintomático.

Qual o papel da triagem neonatal na fibrose cística?

A triagem neonatal permite o diagnóstico precoce da fibrose cística, possibilitando o início do acompanhamento e tratamento antes do surgimento de sintomas graves, melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida.

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