Fibrose Cística: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 16 anos, do sexo masculino, apresenta-se com queixa de tosse crônica produtiva, com secreção espessa, e episódios frequentes de infecções respiratórias desde a infância. Refere também episódios recorrentes de diarreia, com fezes volumosas e gordurosas. No exame físico, observa-se estatura baixa para a idade, tórax em “excavada” e roncos à ausculta pulmonar. O exame abdominal revela distensão, com hepatomegalia palpável. O paciente tem histórico familiar de doenças pulmonares crônicas. Exames laboratoriais mostram níveis elevados de enzimas hepáticas e alterações no padrão de função pulmonar. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico para o caso apresentado.

Alternativas

  1. A) Asma brônquica
  2. B) Doença pulmonar intersticial
  3. C) Fibrose cística
  4. D) Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
  5. E) Tuberculose pulmonar

Pérola Clínica

Fibrose Cística = doença multissistêmica com sintomas respiratórios crônicos + má absorção intestinal + histórico familiar.

Resumo-Chave

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente os pulmões e o sistema digestório. A apresentação clínica clássica inclui infecções respiratórias de repetição, tosse produtiva com secreção espessa e sintomas de má absorção, como diarreia com fezes gordurosas e dificuldade de ganho de peso.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva, causada por mutações no gene CFTR, que codifica uma proteína reguladora da condutância transmembrana. É uma das doenças genéticas mais comuns em populações caucasianas, com incidência variando globalmente. Sua importância clínica reside na cronicidade e progressão, afetando múltiplos órgãos e exigindo manejo complexo e multidisciplinar. A suspeita diagnóstica surge da combinação de sintomas respiratórios (tosse crônica produtiva, bronquiectasias, infecções de repetição) e gastrointestinais (má absorção, esteatorreia, falha de crescimento, íleo meconial em neonatos). Outros sinais incluem baixa estatura, alterações hepáticas e histórico familiar. O diagnóstico é confirmado pelo teste do suor (cloreto > 60 mEq/L) e/ou identificação de duas mutações no gene CFTR. O tratamento da FC é complexo e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui fisioterapia respiratória, uso de mucolíticos, antibióticos para infecções, enzimas pancreáticas para má absorção e, mais recentemente, moduladores de CFTR. O prognóstico tem melhorado significativamente com o avanço das terapias e o diagnóstico precoce, muitas vezes pela triagem neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da fibrose cística em adolescentes?

Em adolescentes, a fibrose cística manifesta-se com tosse crônica produtiva de secreção espessa, infecções respiratórias recorrentes, diarreia com fezes gordurosas (esteatorreia), baixa estatura e, por vezes, hepatomegalia devido à doença hepática associada.

Qual o papel do histórico familiar no diagnóstico da fibrose cística?

O histórico familiar de doenças pulmonares crônicas ou fibrose cística é um forte indicativo, pois a doença é autossômica recessiva. A presença de casos na família aumenta a suspeita clínica e a necessidade de investigação.

Como diferenciar fibrose cística de outras doenças respiratórias crônicas?

A fibrose cística se diferencia pela combinação de sintomas respiratórios crônicos (tosse, infecções) com manifestações gastrointestinais (má absorção, esteatorreia) e, frequentemente, o teste do suor positivo, que mede a concentração de cloreto.

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