Fibrose Cística em Lactentes: Sinais Chave para o Diagnóstico

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Lactante de 7 meses chega para a primeira consulta no ambulatório de pediatria geral trazido pela avó com queixa de infecções de vias aéreas recorrentes. Há 2 meses iniciou quadro de tosse produtiva, rinorréia amarelada e febre persistente por 7 dias, a qual foi diagnosticada como pneumonia e broncoespasmo pelo pediatra assistente. Recebeu tratamento com Amoxicilina oral por 10 dias e salbutamol spray ambulatorialmente com completa resolução do quadro. Há 1 mês, refere novo episódio com as mesmas características, acompanhado de sibilância. Foi diagnosticado novamente como pneumonia e tratado com amoxicilina com clavulanato oral por 10 dias associado a prednisolona oral por 5 dias e Salbutamol spray inalatório. A avó refere que houve melhora do quadro, mas a tosse persistiu com menor intensidade durante o último mês até que nesta semana ele voltou a ter tosse produtiva, diurma com piora noturna, sibilância com dispneia e febre. Ela demonstra preocupação com o peso do neto e afirma que as fezes dele são sempre muito amolecidas. Verificando a caderneta da criança, verifica-se que ele ganhou 300 g entre as consultas de 3 e 6 meses. Na anamnese verifica- se que as condições da gestação, parto e neonatal foram normais, exceto pela demora ao eliminar a primeira evacuação, a qual ocorreu apenas no final do 2º dia de vida mediante estímulo retal com supositório de glicerina na maternidade. Nascido de parto vaginal, a termo com 3000 g com 40 semanas, adequado para a idade gestacional, apgar 10 e 10, tendo recebido alta com 48 horas do vida. Compareceu mensalmente às consultas de puericultura, tendo recebido aleitamento matemo exclusivo por 6 meses e iniciado gradativamente a alimentação complementar de forma correta. Os pais são primos distantes. Baseado na descrição do caso acima, responda: Qual é o provável diagnóstico desta criança?

Alternativas

  1. A) Hiperreatividade brônquica.
  2. B) Fibrose cística.
  3. C) Doença de refluxo gastroesofágico.
  4. D) Imunideficiência primária.

Pérola Clínica

Infecções respiratórias recorrentes + baixo ganho ponderal + fezes amolecidas + atraso mecônio + consanguinidade → suspeitar Fibrose Cística.

Resumo-Chave

A fibrose cística deve ser fortemente suspeitada em lactentes com infecções respiratórias de repetição, sibilância, baixo ganho ponderal e alterações gastrointestinais como fezes amolecidas e história de atraso na eliminação do mecônio. A consanguinidade dos pais reforça a suspeita de doença genética autossômica recessiva.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva que afeta as glândulas exócrinas, levando à produção de secreções espessas e viscosas em múltiplos órgãos. Em lactentes, a apresentação clínica é variada, mas a suspeita deve surgir diante de um conjunto de sintomas que afetam principalmente os sistemas respiratório e gastrointestinal. O quadro respiratório é caracterizado por infecções de vias aéreas recorrentes, tosse produtiva, sibilância e broncoespasmo, muitas vezes diagnosticados erroneamente como asma. No sistema gastrointestinal, a má absorção de gorduras leva a fezes amolecidas, volumosas e esteatorreia, resultando em baixo ganho ponderal e falha de crescimento. A história de íleo meconial (atraso na eliminação do mecônio) é um forte indicativo neonatal da doença. O diagnóstico precoce é fundamental para um melhor prognóstico. Além da história clínica e exame físico, o teste do pezinho pode rastrear a doença. A confirmação é feita pelo teste do suor (cloreto no suor > 60 mEq/L) ou pela identificação de mutações genéticas no gene CFTR. O tratamento é multidisciplinar e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para fibrose cística em lactentes?

Sinais de alerta incluem infecções respiratórias recorrentes, tosse produtiva persistente, sibilância, baixo ganho ponderal, fezes volumosas e amolecidas, e história de atraso na eliminação do mecônio.

Como a história de atraso na eliminação do mecônio se relaciona com a fibrose cística?

O atraso na eliminação do mecônio (íleo meconial) é uma manifestação clássica da fibrose cística em neonatos, ocorrendo devido à secreção de muco espesso no intestino, que obstrui o trato gastrointestinal.

Qual a importância da consanguinidade dos pais no diagnóstico de fibrose cística?

A fibrose cística é uma doença autossômica recessiva. A consanguinidade dos pais aumenta a probabilidade de ambos serem portadores do gene mutado (CFTR), elevando o risco de a criança manifestar a doença.

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