Fibrose Cística em Lactentes: Diagnóstico e Sinais Chave

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2016

Enunciado

Lactente de 18 meses, apresentando prolapso retal de repetição é atendido em Ambulatório de Pediatria. História prévia revelava três internações por pneumonia e uma por diarreia aguda com desidratação hiponatrêmica. História fisiológica sugeria diarreia crônica, e história familiar de irmão falecido no período neonatal por complicação de patologia abdominal cirúrgica. Ao exame físico, o lactente encontrava-se abaixo do percentil 3 no gráfico de IMC para idade, e foram encontrados raros sibilos na ausculta respiratória. Qual exame complementar você solicitaria e a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Dosagem de alfa-1-antripsina; Deficiência de alfa-1-antitripsina.
  2. B) Espirometria; Asma.
  3. C) Tomografia de tórax; Fibrose cística.
  4. D) Dosagem de imunoglobulinas; Imunodeficiência primária.
  5. E) Teste do suor; Fibrose cística.

Pérola Clínica

Prolapso retal + infecções respiratórias/diarreia crônica em lactente = suspeitar Fibrose Cística, solicitar Teste do Suor.

Resumo-Chave

O quadro clínico de prolapso retal de repetição, infecções respiratórias recorrentes (pneumonia), diarreia crônica e baixo ganho ponderal em um lactente é altamente sugestivo de Fibrose Cística. O teste do suor é o exame padrão-ouro para confirmar essa hipótese diagnóstica, sendo crucial para o manejo precoce.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), que codifica uma proteína responsável pelo transporte de íons cloreto. A disfunção dessa proteína leva à produção de secreções exócrinas espessas e viscosas em diversos órgãos, principalmente pulmões, pâncreas, fígado e intestino. É uma das doenças genéticas mais comuns na população caucasiana, com incidência significativa no Brasil. O diagnóstico da FC deve ser suspeitado em crianças com quadro clínico de infecções respiratórias de repetição (pneumonias, bronquiolites, sibilos), diarreia crônica com esteatorreia, desnutrição, prolapso retal de repetição e história familiar positiva. A triagem neonatal (teste do pezinho) pode identificar casos precocemente. O exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica é o teste do suor, que mede a concentração de cloreto no suor. O tratamento da fibrose cística é multidisciplinar e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Inclui fisioterapia respiratória, uso de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica, antibióticos para infecções e, mais recentemente, moduladores do CFTR. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço do diagnóstico precoce e das terapias, mas a doença ainda representa um desafio clínico importante para residentes e pediatras.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fibrose cística em lactentes?

Sinais de alerta incluem prolapso retal de repetição, infecções respiratórias recorrentes (pneumonia, bronquiolite, sibilos), diarreia crônica com esteatorreia, desnutrição e história familiar de doença ou óbito precoce.

Qual o exame padrão-ouro para diagnosticar fibrose cística?

O teste do suor, que mede a concentração de cloreto no suor, é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de fibrose cística. Valores elevados de cloreto são indicativos da doença.

Por que a fibrose cística causa prolapso retal e problemas respiratórios?

A disfunção do gene CFTR afeta as secreções exócrinas, tornando-as mais espessas. No intestino, isso causa má absorção, fezes volumosas e esforço evacuatório que predispõem ao prolapso; nos pulmões, o muco espesso leva à obstrução brônquica e infecções recorrentes.

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