Fibrose Cística: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 23 anos é avaliada por tosse crônica. Relata vários episódios de “bronquite crônica” e tosse persistente produtiva com escarro espesso e purulento desde a infância. Há também congestão nasal e diarreia crônicas. Atualmente, está em uso de albuterol e corticoide inalatórios. Ao exame físico: sinais vitais e oximetria de pulso são normais; IMC: 18 kg/m²; pulmonar: estertores difusos bilaterais; o restante do exame não é contributivo. Hemograma completo e níveis de imunoglobulinas estão normais. Espirometria com VEF1 de 68% do previsto. Tomografia de tórax: bronquiectasias bilaterais com predomínio do lobo superior e preenchimento luminal. O diagnóstico mais provável para essa paciente é

Alternativas

  1. A) aspergilose broncopulmonar alérgica.
  2. B) deficiência de antitripsina.
  3. C) fibrose cística.
  4. D) imunodeficiência variável comum.

Pérola Clínica

Fibrose Cística = tosse crônica produtiva + bronquiectasias + sintomas gastrointestinais/desnutrição desde infância.

Resumo-Chave

A apresentação clássica de fibrose cística inclui doença pulmonar obstrutiva crônica (bronquiectasias), insuficiência pancreática exócrina (diarreia, desnutrição) e sinusite crônica, mesmo com imunoglobulinas normais. A tomografia de tórax com bronquiectasias de lobo superior e preenchimento luminal é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é a doença genética autossômica recessiva mais comum em caucasianos, causada por mutações no gene CFTR. É uma doença multissistêmica que afeta principalmente os pulmões, pâncreas, fígado e intestino, sendo crucial o diagnóstico precoce para um manejo adequado e melhora do prognóstico. A fisiopatologia da FC envolve a disfunção da proteína CFTR, que regula o transporte de íons cloreto e bicarbonato, resultando em secreções espessas e viscosas. Isso leva a obstrução de ductos e vias aéreas, causando bronquiectasias, infecções pulmonares crônicas, insuficiência pancreática exócrina e má absorção. O diagnóstico é estabelecido pelo teste do suor e confirmado por análise genética. O tratamento da fibrose cística é multidisciplinar, visando controlar as infecções pulmonares (antibióticos), melhorar a depuração mucociliar (mucolíticos, fisioterapia respiratória), repor enzimas pancreáticas e, mais recentemente, utilizar moduladores do CFTR. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços terapêuticos, mas a doença ainda requer acompanhamento contínuo e atenção às complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da fibrose cística?

Os sinais e sintomas da fibrose cística incluem tosse crônica produtiva, infecções pulmonares recorrentes, bronquiectasias, insuficiência pancreática exócrina com diarreia crônica e desnutrição, e sinusite crônica.

Como é feito o diagnóstico de fibrose cística?

O diagnóstico de fibrose cística é feito principalmente pelo teste do suor (cloreto no suor > 60 mEq/L) e confirmado por teste genético que identifica mutações no gene CFTR.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da fibrose cística?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem outras causas de bronquiectasias (como discinesia ciliar primária, imunodeficiências primárias, aspergilose broncopulmonar alérgica) e outras causas de má absorção.

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