UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2015
Lactente masculino, 6 meses de idade, apresenta tosse, dispneia e sibilância desde os 3 meses de idade, moderado comprometimento da evolução pondero-estatural, associado à eliminação de fezes com odor muito fétido e aspecto gorduroso. A hipótese diagnóstica mais provável com respectiva história neonatal e exame complementar é:
Fibrose cística: íleo meconial + sintomas respiratórios/gastrointestinais + teste do suor positivo.
A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente as glândulas exócrinas, levando a secreções espessas. A tríade clássica inclui doença pulmonar crônica, insuficiência pancreática exócrina (com esteatorreia e má absorção) e níveis elevados de eletrólitos no suor.
A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR, que codifica uma proteína reguladora da condutância transmembrana. É a doença genética letal mais comum em caucasianos, com incidência variando entre 1:2.500 e 1:10.000 nascidos vivos. Sua importância clínica reside na ampla gama de manifestações, principalmente respiratórias e gastrointestinais, que exigem diagnóstico precoce e manejo multidisciplinar para melhorar o prognóstico. A fisiopatologia central da FC envolve a disfunção do transporte de íons cloreto e sódio através das membranas celulares, resultando em secreções exócrinas espessas e viscosas. No sistema respiratório, isso leva ao acúmulo de muco, obstrução brônquica, infecções recorrentes e bronquiectasias. No sistema gastrointestinal, a obstrução dos ductos pancreáticos causa insuficiência pancreática exócrina, má absorção de nutrientes e esteatorreia. O diagnóstico é suspeitado por sintomas clínicos (íleo meconial, tosse crônica, má evolução ponderal, esteatorreia) e confirmado pelo teste do suor ou análise genética. O tratamento da FC é complexo e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui fisioterapia respiratória, uso de mucolíticos, antibióticos para infecções, reposição de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica e, mais recentemente, moduladores do CFTR. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço do diagnóstico e tratamento, mas a doença ainda representa um desafio clínico importante para residentes.
Em lactentes, a fibrose cística pode se manifestar com íleo meconial ao nascimento, tosse crônica, sibilância, infecções respiratórias de repetição, dificuldade de ganho de peso e esteatorreia (fezes gordurosas e fétidas).
O teste do suor, que mede a concentração de cloreto no suor, é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de fibrose cística. Valores acima de 60 mEq/L são considerados positivos em crianças.
A insuficiência pancreática exócrina na fibrose cística leva à má digestão e má absorção de gorduras e proteínas, resultando em esteatorreia, distensão abdominal, dor e comprometimento do crescimento e desenvolvimento pondero-estatural.
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