UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menino, 5a, é encaminhado para avaliação devido a sintomas respiratórios crônicos, incluindo tosse persistente, episódios recorrentes de pneumonia e dificuldade em ganhar peso. A história familiar não é significativa, e o exame físico revela estertores inspiratórios difusos. O radiograma de tórax mostra aprisionamento aéreo, e a espirometria indica um padrão obstrutivo leve. Foi realizado um teste de suor, com resultado de cloro de 65 mmol/L. Com base nos achados apresentados, a conduta diagnóstica mais apropriada é:
Cloro no suor ≥ 60 mmol/L + clínica compatível = Diagnóstico de Fibrose Cística.
O diagnóstico de Fibrose Cística é confirmado por dois testes de suor positivos ou identificação de duas mutações CFTR em pacientes com sintomas sugestivos ou triagem neonatal positiva.
A Fibrose Cística (FC) é uma doença autossômica recessiva causada por mutações no gene CFTR, que codifica um canal de cloro nas membranas epiteliais. A disfunção dessa proteína resulta em secreções espessas e viscosas que obstruem ductos em diversos órgãos, predominantemente pulmões e pâncreas. O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar o prognóstico. Atualmente, a triagem neonatal (teste do pezinho) identifica a maioria dos casos através da dosagem da tripsina imunorreativa (IRT), mas a confirmação padrão-ouro permanece sendo o teste do suor por iontoforese de pilocarpina.
Para todas as idades, um nível de cloro no suor ≥ 60 mmol/L é considerado positivo e consistente com o diagnóstico de Fibrose Cística. Valores entre 30 e 59 mmol/L são considerados limítrofes (borderline), exigindo repetição do teste ou estudo genético. Valores < 30 mmol/L tornam o diagnóstico improvável, embora não o excluam totalmente em casos de mutações raras.
O teste genético é indicado quando o teste do suor é inconclusivo (limítrofe) ou para fins de aconselhamento genético e elegibilidade para terapias moduladoras da CFTR. Se o paciente apresenta clínica clássica e teste do suor positivo, o diagnóstico está firmado, mas a genotipagem ainda é recomendada para identificar as mutações específicas (como a F508del).
A tríade clássica envolve doença pulmonar obstrutiva crônica (tosse persistente, bronquiectasias, colonização por Pseudomonas), insuficiência pancreática exócrina (esteatorreia, desnutrição, dificuldade de ganho ponderal) e níveis elevados de eletrólitos no suor. Outras manifestações incluem íleo meconial ao nascimento, síndrome de obstrução intestinal distal e infertilidade masculina.
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