Fibrose Cística Pediátrica: Diagnóstico e Sinais Clínicos

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 8 anos, com história pregressa de infecção respiratória de repetição na infância e uso de antibióticos, é levado pela mãe ao consultório do pediatra com relato de tosse produtiva, cansaço aos esforços após atividade física e estar abaixo da média de altura e peso das crianças da sua idade. Ao exame o pediatra identificou baqueteamento de dedos e estertores grossos difusos, qual a hipótese diagnostica do pediatra:

Alternativas

  1. A) Fibrose cística
  2. B) Tuberculose
  3. C) Ansiedade
  4. D) Quadro de atopia
  5. E) Alternativas b e d estão corretas

Pérola Clínica

Fibrose cística = infecções respiratórias crônicas + atraso crescimento + baqueteamento digital + sintomas gastrointestinais.

Resumo-Chave

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta as glândulas exócrinas, levando à produção de muco espesso. Isso causa obstrução de vias aéreas e ductos pancreáticos, resultando em infecções pulmonares recorrentes e má absorção intestinal, com consequente déficit de crescimento.

Contexto Educacional

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR, que codifica uma proteína reguladora da condutância transmembrana. É a doença genética letal mais comum em caucasianos, com uma incidência de aproximadamente 1 em 2.500 a 3.500 nascidos vivos. Sua importância clínica reside na cronicidade e progressão da doença, afetando múltiplos órgãos e sistemas, principalmente o respiratório e o digestório. A fisiopatologia central envolve a produção de secreções exócrinas anormalmente espessas e viscosas, que obstruem ductos e vias aéreas. No sistema respiratório, isso leva à formação de rolhas de muco, infecções bacterianas crônicas, inflamação e bronquiectasias progressivas. No sistema digestório, a obstrução dos ductos pancreáticos resulta em insuficiência pancreática exócrina, má absorção de nutrientes e atraso no crescimento. O diagnóstico deve ser suspeitado em crianças com história de infecções respiratórias de repetição, tosse crônica, baqueteamento digital, atraso no desenvolvimento ponderoestatural e sintomas gastrointestinais. O tratamento da fibrose cística é multidisciplinar e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui fisioterapia respiratória diária, uso de mucolíticos, antibióticos para infecções, enzimas pancreáticas para má absorção e suplementação vitamínica. Avanços recentes com moduladores do CFTR têm revolucionado o prognóstico, mas a doença ainda requer manejo contínuo e especializado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da fibrose cística em crianças?

Os principais sintomas incluem infecções respiratórias de repetição, tosse produtiva crônica, baqueteamento digital, atraso no crescimento e ganho de peso, e sintomas gastrointestinais como esteatorreia.

Como é feito o diagnóstico de fibrose cística?

O diagnóstico é baseado na triagem neonatal (teste do pezinho), teste do suor (cloreto > 60 mEq/L), e confirmação genética com identificação de mutações no gene CFTR.

Quais são as complicações pulmonares mais comuns da fibrose cística?

As complicações pulmonares incluem bronquiectasias, infecções bacterianas crônicas (Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus), pneumonias recorrentes e insuficiência respiratória progressiva.

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