Fibrose Cística Pediátrica: Diagnóstico e Sinais Chave

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2017

Enunciado

Menina de dois anos de idade, procedente da região nordeste de Minas Gerais, é atendida na unidade básica de saúde com queixa de tosse há 15 dias e febre baixa há cinco dias. Na história pregressa, há relato de internações prévias por íleo meconial na primeira semana de vida e por vários episódios de "bronquite" e pneumonia. Ao exame físico, observa-se que seu peso está abaixo do percentil 5 para sua estatura que, por sua vez, está abaixo do percentil 3 para sua idade. A temperatura axilar é de 38°C; observa-se baqueteamento digital, rinorreia purulenta, além de sibilância e crepitações difusas com redução do murmúrio vesicular na base pulmonar direita à ausculta respiratória. Diante da anamnese e do exame físico relatados, a hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Asma brônquica. 
  2. B) Fibrose cística.
  3. C) Imunodeficiência primária.
  4. D) Tuberculose pulmonar. 

Pérola Clínica

Íleo meconial + infecções respiratórias recorrentes + desnutrição + baqueteamento digital em criança → Fibrose Cística.

Resumo-Chave

A fibrose cística deve ser fortemente suspeitada em crianças com história de íleo meconial ao nascimento, infecções respiratórias de repetição (bronquites, pneumonias), sibilância persistente, rinorreia purulenta crônica, baqueteamento digital e falha de crescimento (desnutrição). Esses achados apontam para uma doença multissistêmica com comprometimento pulmonar e gastrointestinal.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), que codifica uma proteína responsável pelo transporte de íons cloreto. Essa disfunção leva à produção de secreções espessas e viscosas em diversas glândulas exócrinas, afetando principalmente os sistemas respiratório, gastrointestinal e reprodutor. A epidemiologia da FC varia, mas é uma das doenças genéticas mais comuns em populações caucasianas, com incidência significativa no Brasil. A fisiopatologia da FC resulta na obstrução de ductos e vias aéreas por muco espesso, levando a infecções crônicas, inflamação e destruição progressiva do tecido pulmonar (bronquiectasias, pneumonias de repetição). No trato gastrointestinal, a obstrução dos ductos pancreáticos causa insuficiência pancreática exócrina, resultando em má absorção de nutrientes, esteatorreia e desnutrição. O íleo meconial é uma manifestação neonatal da obstrução intestinal. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento e melhorar o prognóstico. A suspeita clínica baseada em sintomas como tosse crônica, infecções respiratórias recorrentes, falha de crescimento, esteatorreia e história de íleo meconial deve ser seguida por testes confirmatórios, como o teste do suor e análise genética. O tratamento é multidisciplinar, incluindo fisioterapia respiratória, antibióticos, enzimas pancreáticas, suplementos vitamínicos e, em casos avançados, transplante pulmonar. A triagem neonatal tem permitido o diagnóstico pré-sintomático e o início precoce das intervenções.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da fibrose cística em crianças?

Os principais sinais incluem infecções respiratórias recorrentes (pneumonias, bronquites), tosse crônica produtiva, sibilância, baqueteamento digital, rinorreia purulenta, má absorção intestinal (esteatorreia, desnutrição) e, em recém-nascidos, íleo meconial.

Qual a importância do íleo meconial no diagnóstico da fibrose cística?

O íleo meconial, que é a obstrução intestinal por mecônio espesso no recém-nascido, é um achado quase patognomônico da fibrose cística, ocorrendo em cerca de 10-20% dos casos e sendo um forte indicativo da doença.

Como é feito o diagnóstico confirmatório da fibrose cística?

O diagnóstico é confirmado pelo teste do suor, que mede a concentração de cloreto no suor. Valores elevados (>60 mEq/L) em duas amostras são diagnósticos. A triagem neonatal e o teste genético para mutações no gene CFTR também são importantes.

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