AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2019
Lactente de 18 meses com dificuldade em ganhar peso, tem como antecedente a presença de íleo meconial ao nascimento e sintomas respiratórios persistentes. Raio de tórax com hiperinsuflação difusa, com aumento de trama broncovascular em lobos superiores. Irmão falecido aos 4 anos por desnutrição e quadro respiratório crônico. I - Estes pacientes apresentam um grande benefício com o uso de corticosteroides inalatórios. PORQUE: II - A principal causa de morbimortalidade nesta doença é pulmonar.
Fibrose Cística: íleo meconial + desnutrição + doença pulmonar crônica. Corticoides inalatórios NÃO são tratamento padrão.
O quadro clínico de íleo meconial ao nascimento, dificuldade em ganhar peso, sintomas respiratórios persistentes e história familiar de doença respiratória crônica é altamente sugestivo de Fibrose Cística. Embora a doença pulmonar seja a principal causa de morbimortalidade, corticosteroides inalatórios não são a terapia de primeira linha ou de grande benefício geral, sendo seu uso restrito a indicações específicas.
A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), que afeta o transporte de íons cloreto e água, resultando em secreções espessas em múltiplos órgãos. É uma das doenças genéticas mais comuns em populações caucasianas. O diagnóstico precoce, muitas vezes suspeitado pelo teste do pezinho ou por manifestações como íleo meconial, é crucial para o manejo e melhora do prognóstico. As manifestações clínicas da FC são multissistêmicas, incluindo doença pulmonar crônica (tosse, infecções recorrentes, bronquiectasias), insuficiência pancreática exócrina (má absorção, dificuldade de ganho de peso, esteatorreia), doença hepática, infertilidade masculina e anormalidades eletrolíticas. A fisiopatologia pulmonar envolve o acúmulo de muco espesso, que serve como meio de cultura para bactérias, levando a um ciclo vicioso de infecção e inflamação que danifica progressivamente as vias aéreas. O tratamento da FC é complexo e multidisciplinar, focado em melhorar a depuração mucociliar (fisioterapia respiratória, mucolíticos), controlar infecções (antibióticos), repor enzimas pancreáticas e vitaminas lipossolúveis, e mais recentemente, o uso de moduladores do CFTR. A doença pulmonar é, de fato, a principal causa de morbimortalidade. Embora os corticosteroides inalatórios sejam úteis em outras doenças obstrutivas, seu papel na FC é limitado a indicações específicas, e não como terapia de base, o que é um ponto importante para a compreensão dos residentes.
As manifestações incluem íleo meconial ao nascimento, dificuldade em ganhar peso (má absorção), sintomas respiratórios crônicos como tosse persistente, infecções pulmonares de repetição, e suor salgado. A história familiar de doença similar também é um forte indício.
A disfunção da proteína CFTR leva à produção de muco espesso e pegajoso nas vias aéreas, o que dificulta a depuração mucociliar e favorece infecções bacterianas crônicas, inflamação e bronquiectasias progressivas, culminando em insuficiência respiratória.
Não, os corticosteroides inalatórios não são um tratamento padrão para todos os pacientes com Fibrose Cística. Seu uso é restrito a situações específicas, como asma concomitante, aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) ou outras condições inflamatórias específicas, e não para a doença pulmonar crônica de base da FC.
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