Fibrose Cística em Lactentes: Diagnóstico e Sinais

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2016

Enunciado

Lactente de nove meses foi encaminhado para ambulatório de pneumologia pediátrica por ter apresentado 4 episódios de internação hospitalar devido à sibilância. Desde recém-nascido apresenta dificuldade respiratória e retardo na eliminação de mecônio. Recebeu aleitamento materno exclusivo durante seis meses quando introduziu alimentação complementar corretamente, orientada pelo pediatra do posto de saúde da própria região onde mora. Há 4 meses apresenta fezes amolecidas com cerca de 8 episódios diários, sem sangue ou pus nas fezes. A mãe refere dificuldade para conseguir que o filho ganhe peso. Durante o atendimento, o pediatra verifica que em ambos os gráficos de peso para a idade e estatura para a idade, o paciente encontrava-se entre os Z escores -2 e -3. Baseado no quadro clínico descrito acima, responda qual a principal suspeita diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Doença de Refluxo Gastroesofágico.
  2. B) Tuberculose Pulmonar.
  3. C) Fibrose Cística.
  4. D) Cardiopatia congênita.

Pérola Clínica

Lactente com sibilância recorrente, retardo mecônio, esteatorreia e baixo peso → Suspeitar fortemente de Fibrose Cística.

Resumo-Chave

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente as glândulas exócrinas, levando à produção de muco espesso e pegajoso. No lactente, manifesta-se com sintomas respiratórios (sibilância, infecções recorrentes), gastrointestinais (retardo na eliminação de mecônio, esteatorreia, dificuldade de ganho de peso) e, por vezes, alterações no teste do pezinho. A combinação desses sintomas é altamente sugestiva de FC.

Contexto Educacional

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator). Essa mutação resulta em disfunção de canais de cloreto, levando à produção de secreções exócrinas anormalmente espessas e pegajosas em múltiplos órgãos, principalmente pulmões, pâncreas e trato gastrointestinal. A doença é uma das mais comuns causas genéticas de doença pulmonar crônica e insuficiência pancreática em crianças. As manifestações clínicas da FC são variadas e podem surgir desde o período neonatal. No sistema respiratório, o muco espesso obstrui as vias aéreas, predispondo a infecções bacterianas recorrentes, sibilância persistente, tosse crônica e bronquiectasias. No sistema gastrointestinal, a insuficiência pancreática exócrina leva à má absorção de nutrientes, resultando em esteatorreia (fezes gordurosas), dificuldade de ganho de peso e desnutrição. O íleo meconial, uma obstrução intestinal por mecônio espesso, é uma manifestação neonatal patognomônica em cerca de 10-20% dos casos. O diagnóstico precoce da FC é crucial para iniciar o tratamento e melhorar o prognóstico. A triagem neonatal (teste do pezinho) pode identificar casos suspeitos, que devem ser confirmados pelo teste do suor (cloreto > 60 mEq/L) e, se necessário, por análise genética. O tratamento é multidisciplinar, focado em desobstrução das vias aéreas, controle de infecções, reposição de enzimas pancreáticas e suplementação nutricional. Novas terapias moduladoras do CFTR têm revolucionado o manejo da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas respiratórios da Fibrose Cística em lactentes?

Em lactentes, os sintomas respiratórios da Fibrose Cística incluem sibilância recorrente, tosse crônica, infecções pulmonares de repetição (bronquiolites, pneumonias) e, em casos mais graves, desconforto respiratório persistente. O muco espesso obstrui as vias aéreas, favorecendo infecções.

Como a Fibrose Cística afeta o sistema gastrointestinal em lactentes?

A FC causa insuficiência pancreática exócrina, levando à má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. Isso se manifesta como esteatorreia (fezes volumosas, pálidas, gordurosas), dificuldade de ganho de peso, distensão abdominal e, em recém-nascidos, íleo meconial (retardo ou ausência de eliminação de mecônio).

Qual o principal exame para confirmar o diagnóstico de Fibrose Cística?

O principal exame confirmatório para Fibrose Cística é o teste do suor, que mede a concentração de cloreto. Valores elevados (geralmente > 60 mEq/L) são diagnósticos. O teste do pezinho (triagem neonatal) pode levantar a suspeita, mas precisa de confirmação.

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