Fibrose Cística: Diagnóstico em Casos Pediátricos

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menino de 4 anos, está internado em unidade de terapia intensiva devido pneumonia e insuficiência respiratória. A cultura de secreção traqueal revelou Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Tem antecedente íleo meconical ao nascimento, pneumonias de repetição, diarreia crônica e baixo ganho pôndero-estatural. A doença de base provável é:

Alternativas

  1. A) Síndrome de imunodeficiência adquirida.
  2. B) Imunodeficiência combinada grave.
  3. C) Fibrose cítica.
  4. D) Tuberculose.
  5. E) Deficiência de alfa-1 antitripsina.

Pérola Clínica

Íleo meconial + pneumonias repetição (Pseudomonas/Staphylococcus) + diarreia crônica = Fibrose Cística.

Resumo-Chave

A tríade de íleo meconial ao nascimento, infecções respiratórias de repetição com patógenos específicos e má absorção intestinal (diarreia crônica, baixo ganho pondero-estatural) é altamente sugestiva de Fibrose Cística. A presença de Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus em culturas respiratóias é um forte indicativo.

Contexto Educacional

A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), que codifica uma proteína responsável pelo transporte de íons cloreto. Essa disfunção leva à produção de secreções espessas e pegajosas em diversos órgãos, principalmente pulmões, pâncreas, fígado e intestino. É uma das doenças genéticas mais comuns na população caucasiana e seu diagnóstico precoce é crucial para o manejo e prognóstico. As manifestações clínicas da FC são multissistêmicas e variam com a idade. No período neonatal, o íleo meconial é patognomônico. Em crianças, a tríade clássica inclui doença pulmonar crônica (com infecções de repetição por patógenos como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus), insuficiência pancreática exócrina (levando a má absorção, diarreia crônica e baixo ganho pondero-estatural) e testes de suor alterados. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em casos de pneumonias recorrentes, tosse crônica e retardo do crescimento. O diagnóstico é confirmado pelo teste do suor (cloreto > 60 mEq/L) e/ou identificação de duas mutações no gene CFTR. O tratamento é complexo e multidisciplinar, visando controlar as infecções pulmonares, melhorar a função respiratória, otimizar o estado nutricional com reposição enzimática pancreática e suplementos vitamínicos, e, mais recentemente, com o uso de moduladores do CFTR. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alerta da FC para garantir um diagnóstico e tratamento precoces, melhorando a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas mais comuns da Fibrose Cística em crianças?

As manifestações incluem sintomas respiratórios crônicos (tosse persistente, infecções de repetição, bronquiectasias), sintomas gastrointestinais (diarreia crônica, esteatorreia, baixo ganho pondero-estatural, íleo meconial ao nascimento) e, em alguns casos, anormalidades eletrolíticas e infertilidade masculina.

Por que a Pseudomonas aeruginosa e o Staphylococcus aureus são patógenos importantes na Fibrose Cística?

Esses patógenos são frequentemente encontrados nas vias aéreas de pacientes com Fibrose Cística devido à disfunção do transporte mucociliar, que favorece a colonização e infecções crônicas. A Pseudomonas aeruginosa, em particular, é um marcador de doença pulmonar avançada e está associada a pior prognóstico.

Qual é o papel do íleo meconial no diagnóstico da Fibrose Cística?

O íleo meconial, uma obstrução intestinal causada por mecônio espesso e pegajoso, é a manifestação inicial da Fibrose Cística em cerca de 10-20% dos recém-nascidos afetados. Sua presença é um forte indicativo da doença e deve levar à investigação imediata, geralmente com o teste do suor.

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