Fibrose Cística Pediátrica: Sinais Chave e Diagnóstico

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Criança de 3 anos, trazida pela mãe em consulta ambulatorial de rotina com queixa de diarreia frequente e malcheirosa, com fezes que boiam no vaso e de aspecto gorduroso. Ao exame físico, apresenta discreta hepatomegalia. Na história pregressa, mãe refere presença de pólipos nasais. Qual hipótese diagnóstica para essa criança?

Alternativas

  1. A) Fibrose cística.
  2. B) Doença celíaca.
  3. C) Doença de Crohn.
  4. D) Intolerância à lactose
  5. E) Alergia à proteína do leite de vaca.

Pérola Clínica

Fibrose cística: diarreia gordurosa + pólipos nasais + hepatomegalia em criança = suspeita forte.

Resumo-Chave

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta as glândulas exócrinas, levando a secreções espessas. A esteatorreia e os pólipos nasais são manifestações comuns devido ao comprometimento pancreático e das vias aéreas superiores, respectivamente, enquanto a hepatomegalia pode indicar doença hepática associada.

Contexto Educacional

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva grave, causada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), que codifica um canal de cloro. É a doença genética letal mais comum em caucasianos, com uma prevalência de aproximadamente 1:2.500 a 1:3.000 nascidos vivos. A importância clínica reside na sua natureza multissistêmica, afetando principalmente os sistemas respiratório e gastrointestinal, e exigindo manejo complexo e multidisciplinar. A fisiopatologia central envolve a disfunção do canal de cloro CFTR, resultando em secreções exócrinas espessas e viscosas. No sistema gastrointestinal, isso leva à obstrução dos ductos pancreáticos, causando insuficiência pancreática exócrina e má absorção de gorduras (esteatorreia), além de doença hepática biliar. No sistema respiratório, o muco espesso predispõe a infecções crônicas e bronquiectasias. A suspeita deve surgir em crianças com diarreia crônica gordurosa, falha de crescimento, infecções respiratórias recorrentes, pólipos nasais ou história familiar. O tratamento da fibrose cística é complexo e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui reposição de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica, fisioterapia respiratória, antibióticos para infecções e, mais recentemente, moduladores do CFTR. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços terapêuticos, mas a doença ainda requer acompanhamento contínuo e especializado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da fibrose cística em crianças?

A fibrose cística em crianças pode se manifestar com diarreia crônica gordurosa (esteatorreia), dificuldade de ganho de peso, tosse crônica, infecções respiratórias recorrentes, pólipos nasais e, em alguns casos, hepatomegalia.

Como é feito o diagnóstico de fibrose cística?

O diagnóstico é geralmente iniciado pela triagem neonatal (teste do pezinho) e confirmado pelo teste do suor (cloreto no suor > 60 mEq/L) ou análise genética para mutações no gene CFTR.

Quais são as complicações gastrointestinais da fibrose cística?

As complicações gastrointestinais incluem insuficiência pancreática exócrina (levando à má absorção e esteatorreia), doença hepática associada à fibrose cística (com hepatomegalia e cirrose biliar), e íleo meconial em recém-nascidos.

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