AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Paciente procura avaliação na Unidade Básica de Saúde, no 3º mês pós-operatório de hernioplastia inguinal pela técnica de Lichtenstein, por apresentar hipoestesia cutânea inferiormente à cicatriz e endurecimento da região à palpação. Durante o exame físico, paciente está afebril e sem alterações à inspeção. À palpação, é possível sentir discreto aumento de consistência de toda a região inguinal, indolor e sem alteração à movimentação e ao esforço físico abdominal. Testículos normais bilateralmente. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Pós-op hernioplastia inguinal (3 meses) + hipoestesia + endurecimento indolor = Fibroplasia normal da tela.
A fibroplasia normal da tela é uma resposta esperada do organismo à presença do material protético, levando à formação de tecido cicatricial e endurecimento local. A hipoestesia pode ser decorrente de lesão ou compressão de pequenos nervos sensitivos durante o procedimento, como o nervo ílio-inguinal ou ílio-hipogástrico, sendo uma complicação comum e geralmente benigna.
A hernioplastia inguinal pela técnica de Lichtenstein é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados globalmente para correção de hérnias inguinais, utilizando uma tela protética para reforço da parede abdominal posterior. É fundamental que residentes e profissionais de saúde compreendam as complicações pós-operatórias esperadas e as que demandam intervenção, para um manejo adequado e tranquilização do paciente. A fibroplasia é a resposta fisiológica do organismo à presença de um corpo estranho (a tela), caracterizada pela formação de tecido cicatricial fibroso ao redor e através da malha protética. Este processo leva ao endurecimento da região inguinal e é essencial para a integração da tela e o reforço da parede. A hipoestesia, por sua vez, é uma complicação sensitiva comum, decorrente da manipulação ou lesão dos nervos ílio-inguinal, ílio-hipogástrico ou genitofemoral durante a dissecção e fixação da tela. O diagnóstico diferencial é crucial. A fibroplasia normal se manifesta como endurecimento indolor ou levemente doloroso, sem sinais de infecção (febre, rubor, calor) ou recidiva (abaulamento redutível). O tratamento é conservador, com acompanhamento e, se necessário, analgésicos para dor leve. A educação do paciente sobre essas ocorrências pós-operatórias é vital para evitar ansiedade e garantir a adesão ao acompanhamento.
Os sinais incluem endurecimento da região operada, que pode ser indolor ou levemente doloroso, e hipoestesia cutânea inferiormente à cicatriz, geralmente sem sinais inflamatórios sistêmicos como febre ou eritema.
A fibroplasia é indolor ou levemente dolorosa, sem febre ou sinais inflamatórios agudos. A recidiva geralmente apresenta abaulamento que aumenta com o esforço, e a infecção tardia cursa com dor, calor, rubor, edema e, por vezes, febre ou drenagem.
Não, a hipoestesia é uma complicação comum e geralmente benigna, resultante de lesão ou compressão de nervos sensitivos (ex: ílio-inguinal, ílio-hipogástrico) durante a cirurgia. Na maioria dos casos, melhora espontaneamente com o tempo.
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