Fibromialgia: Diagnóstico e Tratamento Multimodal

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 42 anos, consulta na Unidade Básica de Saúde por dor em múltiplas regiões do corpo. Refere recorrência desse sintoma há mais de um ano, principalmente em nádega esquerda com irradiação pela face posterior da coxa até o joelho. Relata ainda dores na orelha direita e na face à direita, com sensibilidade nos dentes superiores homolaterais. Nega trauma e sintomas sistêmicos. Não realiza exercícios físicos de rotina. Traz exames de imagens sem alterações. Ao exame físico, apresenta pontos dolorosos nas musculaturas glútea esquerda e cervical direita, sem alterações inflamatórias, déficits neurológicos e anormalidades no exame da orelha ou da cavidade oral. Considerando esse quadro clínico, a analgesia será adequada com o uso de . Recomenda- se a realização de para a prevenção de novos episódios. Há a indicação do uso de pelo caráter crônico do quadro. As informações que completam corretamente as lacunas, na ordem em que se encontram, estão contidas na alternativa:

Alternativas

  1. A) paracetamol – alongamento – fluoxetina
  2. B) ibuprofeno – exercício aeróbico – duloxetina
  3. C) dipirona – fortalecimento muscular – amitriptilina
  4. D) prednisona – reeducação postural – gabapentina

Pérola Clínica

Dor crônica generalizada + pontos dolorosos + exames normais → Fibromialgia. Tratamento: antidepressivos (amitriptilina), exercícios, educação.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor crônica, difusa e em múltiplos pontos, sem alterações inflamatórias ou neurológicas e com exames de imagem normais, sugere fibromialgia ou síndrome da dor miofascial. O tratamento é multimodal, combinando farmacoterapia (antidepressivos tricíclicos ou inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina) com terapias não farmacológicas como exercícios físicos e reeducação postural.

Contexto Educacional

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono e pontos dolorosos à palpação. Afeta predominantemente mulheres e tem um impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de dor generalizada por mais de três meses e na exclusão de outras condições que possam justificar os sintomas, uma vez que exames laboratoriais e de imagem são tipicamente normais. A fisiopatologia envolve uma desregulação do processamento da dor no sistema nervoso central, com aumento da sensibilidade a estímulos dolorosos (alodinia e hiperalgesia). O tratamento é multimodal e visa aliviar a dor, melhorar o sono e a função. A farmacoterapia inclui antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina), inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (como duloxetina) e anticonvulsivantes (como pregabalina). Além da medicação, as terapias não farmacológicas são cruciais. Exercícios físicos regulares (especialmente aeróbicos), fisioterapia, reeducação postural, terapia cognitivo-comportamental e educação do paciente sobre a condição são componentes essenciais do plano de tratamento. A abordagem deve ser individualizada, focando na melhora funcional e na redução dos sintomas, e é fundamental que o residente saiba integrar essas diferentes modalidades terapêuticas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para fibromialgia?

Os critérios atuais incluem dor generalizada por mais de 3 meses, em múltiplos locais do corpo, e a presença de sintomas como fadiga, distúrbios do sono e cognitivos, sem outra condição que explique a dor.

Qual o papel dos antidepressivos no tratamento da fibromialgia?

Antidepressivos como amitriptilina (tricíclico) ou duloxetina (ISRSN) são eficazes na fibromialgia por modularem neurotransmissores envolvidos na percepção da dor e no sono, melhorando a dor, o sono e a fadiga.

Quais terapias não farmacológicas são recomendadas para fibromialgia?

Exercícios aeróbicos de baixo impacto, como caminhada ou natação, são altamente recomendados. Terapias como fisioterapia, reeducação postural, acupuntura e terapia cognitivo-comportamental também são importantes para o manejo da dor e melhora da qualidade de vida.

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