UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher, 51 anos, diabética, dislipidêmica, hipertensa e obesa. Em uso de duloxetina 30mg/dia, enalapril, hidroclorotiazida, metformina e sinvastatina. Apresenta-se na consulta de hoje por queixa de insônia, fadiga e mialgia com piora progressiva nos últimos meses. Ao exame, apresenta dor à palpação difusa com alguns pontos de maior sensibilidade à dor. Em relação à queixa da paciente, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada:
Fibromialgia (dor difusa, fadiga, insônia) → Pregabalina é opção eficaz para dor e sono.
A paciente apresenta um quadro clássico de fibromialgia, caracterizado por dor musculoesquelética crônica e difusa, fadiga, insônia e pontos dolorosos à palpação. Embora já use duloxetina (um tratamento para fibromialgia), a persistência dos sintomas justifica a associação de outra medicação com mecanismo de ação diferente. A pregabalina é um neuromodulador eficaz para a dor neuropática e melhora do sono na fibromialgia.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga persistente, distúrbios do sono e pontos dolorosos à palpação. Afeta predominantemente mulheres de meia-idade e tem um impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, e a exclusão de outras condições que possam mimetizar seus sintomas é fundamental. A fisiopatologia envolve alterações na modulação central da dor, com sensibilização do sistema nervoso central. O tratamento da fibromialgia é multimodal, combinando abordagens farmacológicas e não farmacológicas. Medicamentos como antidepressivos (duloxetina, milnaciprano) e neuromoduladores (pregabalina, gabapentina) são as principais escolhas farmacológicas, atuando na redução da dor e melhora dos sintomas associados. A duloxetina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, e a pregabalina, que modula a liberação de neurotransmissores, são frequentemente utilizadas, muitas vezes em combinação. A associação de pregabalina à duloxetina é uma estratégia comum quando a monoterapia não é suficiente para controlar os sintomas, especialmente a dor e a insônia. Além da medicação, a prática regular de exercícios físicos, a terapia cognitivo-comportamental e a educação do paciente sobre a doença são pilares do tratamento. O objetivo é reduzir a dor, melhorar a função e a qualidade de vida, e o manejo deve ser individualizado e contínuo.
O diagnóstico de fibromialgia é clínico, baseado na presença de dor generalizada por mais de 3 meses, fadiga, distúrbios do sono e, historicamente, a presença de pontos dolorosos específicos à palpação, embora os critérios atuais enfatizem a dor difusa e a gravidade dos sintomas associados.
A pregabalina é um ligante alfa-2-delta que modula a liberação de neurotransmissores excitatórios, como glutamato e substância P, no sistema nervoso central. Isso resulta na diminuição da hiperexcitabilidade neuronal e na redução da percepção da dor, além de melhorar a qualidade do sono.
As opções não farmacológicas incluem exercícios aeróbicos de baixo impacto (natação, caminhada), terapia cognitivo-comportamental (TCC), acupuntura, fisioterapia e técnicas de relaxamento. Essas abordagens são complementares ao tratamento medicamentoso e essenciais para o manejo integral da condição.
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