Fibromialgia: Diagnóstico Clínico e Critérios Essenciais

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher com 52 anos comparece à consulta médica na unidade básica de saúde com queixa de dores musculoesqueléticas crônicas, mal localizadas, difusas, acima e abaixo da cintura. Refere que o quadro tem cerca de 4 meses de evolução, tendo surgido aparentemente após episódio de dengue (não grave). A paciente também refere fadiga e quadro depressivo há longa data, além de transtorno da articulação temporomandibular e síndrome do intestino irritável. Relata apetite preservado. Seu exame físico é normal, salvo por dor à compressão e palpação muscular difusa. Digno de nota é que a simples insuflação do esfigmomanômetro leva a dor significativa em ponto localizado cerca de 2 centímetros distais do epicôndilo lateral do membro superior avaliado. Além disso, há dor à compressão digital bilateral nos pontos de inserção dos músculos subocciptais, no ponto médio da borda superior de ambos os músculos trapézios, sobre a borda medial das escápulas, nos quadrantes superiores externos das nádegas, posteriormente às eminências trocantéricas dos fêmures, sobre a 2ª articulação condroesternal direita e sobre as partes moles localizadas superior e medialmente a ambos os joelhos. Não há alterações no hemograma completo, nem na dosagem de proteína C reativa, T4 livre, TSH e velocidade de hemossedimentação.No caso apresentado, qual o diagnóstico dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Fibromialgia
  2. B) Hipotireoidismo subclínico. 
  3. C) Transtorno psicossomático. 
  4. D) Transtorno depressivo maior.

Pérola Clínica

Dor crônica difusa (>3 meses, acima/abaixo cintura) + fadiga + distúrbios do sono/humor + pontos dolorosos específicos + exames normais → Fibromialgia.

Resumo-Chave

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, acompanhada por fadiga, distúrbios do sono e humor, e múltiplos pontos dolorosos à palpação. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de dor e sintomas associados, e pela exclusão de outras condições que possam justificar os sintomas. Exames laboratoriais são geralmente normais.

Contexto Educacional

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono e humor, e múltiplos pontos dolorosos à palpação. Afeta predominantemente mulheres e sua etiologia é multifatorial, envolvendo sensibilização central e disfunção na modulação da dor. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de 2010 do American College of Rheumatology (ACR), que consideram o Índice de Dor Generalizada (WPI) e a Escala de Gravidade dos Sintomas (SSS). É crucial descartar outras condições que possam causar dor difusa, como hipotireoidismo, polimialgia reumática ou doenças autoimunes, através de uma anamnese detalhada e exames laboratoriais complementares, que na fibromialgia costumam ser normais. O tratamento é multidisciplinar, combinando farmacoterapia (antidepressivos, analgésicos, relaxantes musculares) com terapias não farmacológicas, como exercícios físicos aeróbicos, terapia cognitivo-comportamental e educação do paciente. O objetivo é aliviar a dor, melhorar a função e a qualidade de vida, e gerenciar os sintomas associados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da fibromialgia além da dor?

Além da dor crônica difusa, os principais sintomas incluem fadiga persistente, distúrbios do sono (insônia, sono não reparador), rigidez matinal, distúrbios cognitivos ("fibro fog"), ansiedade e depressão.

Como é feito o diagnóstico de fibromialgia?

O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de dor generalizada por mais de 3 meses, presença de sintomas como fadiga e sono não reparador, e exclusão de outras doenças. A identificação de pontos dolorosos específicos auxilia, mas não é mais o único critério.

Quais condições podem mimetizar a fibromialgia e devem ser descartadas?

Condições como hipotireoidismo, polimialgia reumática, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico e deficiência de vitamina D podem apresentar sintomas semelhantes e devem ser descartadas por exames laboratoriais e avaliação clínica.

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