HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 28 anos de idade procura atendimento ambulatorial em virtude de dores musculares generalizadas há quatro meses. Queixa-se de dores musculares em ombros, pernas, coxas e região lombar bilateralmente, sem traumas associados. Neste mesmo período, vem apresentando dificuldade para dormir, choro fácil e anedonia. Ao exame físico, queixa-se de hiperalgesia em todos os pontos dolorosos descritos na anamnese. Possui 6 tender points dolorosos, sem outras alterações. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Fibromialgia = Dor crônica generalizada + distúrbios do sono/humor + tender points → Exercício + Amitriptilina.
O quadro clínico de dor muscular generalizada crônica, distúrbios do sono e humor, e a presença de tender points sugerem fibromialgia. A conduta inicial envolve uma abordagem multimodal, combinando exercício físico gradual e o uso de antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina para modular a dor e melhorar o sono.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono e problemas cognitivos, como dificuldade de concentração e memória. Afeta predominantemente mulheres jovens e de meia-idade. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios revisados do American College of Rheumatology, que enfatizam a dor generalizada e a presença de sintomas associados, como fadiga e distúrbios do sono, por pelo menos três meses. A presença de tender points, embora não seja mais um critério obrigatório, ainda é um achado comum no exame físico. A fisiopatologia da fibromialgia é complexa e envolve uma desregulação no processamento da dor no sistema nervoso central, resultando em uma amplificação dos sinais dolorosos (sensibilização central). Fatores genéticos, psicológicos e ambientais contribuem para o desenvolvimento da síndrome. É crucial diferenciar a fibromialgia de outras condições reumatológicas e neurológicas que podem causar dor generalizada, através de uma anamnese detalhada e exame físico minucioso, geralmente sem a necessidade de exames laboratoriais extensos para o diagnóstico. O tratamento da fibromialgia é multimodal e visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. A abordagem inclui farmacoterapia (antidepressivos tricíclicos como amitriptilina, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina como duloxetina e milnaciprano, e gabapentinoides como pregabalina) e terapias não farmacológicas. O exercício físico regular e gradual (aeróbico, alongamento, fortalecimento) é uma pedra angular do tratamento, comprovadamente eficaz na redução da dor e melhora funcional. Terapias cognitivo-comportamentais também são importantes para o manejo da dor e dos distúrbios do humor. Opioides fortes e corticoides não são recomendados devido à falta de eficácia a longo prazo e aos riscos associados.
Os critérios diagnósticos para fibromialgia incluem dor generalizada por pelo menos 3 meses, afetando múltiplos locais do corpo, e a presença de sintomas como fadiga, distúrbios do sono e problemas cognitivos. A contagem de tender points foi um critério antigo, mas ainda útil na prática clínica.
O exercício físico, especialmente aeróbico e de baixo impacto, é crucial no tratamento da fibromialgia porque ajuda a reduzir a dor, melhorar a função física, a qualidade do sono e o humor. Deve ser iniciado gradualmente e adaptado à tolerância do paciente.
A amitriptilina, um antidepressivo tricíclico, é frequentemente utilizada em baixas doses na fibromialgia para melhorar a qualidade do sono, reduzir a dor e modular a percepção dolorosa. Ela atua nos neurotransmissores envolvidos na modulação da dor e do sono.
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