FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Um jovem de 21 anos é levado ao centro cirúrgico para laparotomia exploradora, em função de um ferimento por arma de fogo em face anterior do abdômen. Durante a cirurgia, foi evidenciado sangramento ativo oriundo do retroperitônio, em Zona II a direita. A equipe anestésica e cirúrgica resolve ativar o Protocolo de Transfusão Maciça. Após a realização de 1,0 grama de Ácido Tranexâmico, dois Concentrado de Hemácias e dois Plasmas Fresco Congelado, foi realizado uma tromboelastrometria que evidenciou a presença de fibrinólise. Diante do achado, a conduta mais adequada seria;
Fibrinólise em trauma + PTM ativado → repetir Ácido Tranexâmico para otimizar hemostasia.
O Ácido Tranexâmico é um antifibrinolítico que inibe a degradação do coágulo. Em um cenário de trauma com sangramento maciço e evidência de fibrinólise na tromboelastometria, a repetição da dose é a conduta mais adequada para combater a hiperfibrinólise e melhorar a hemostasia.
O manejo do sangramento maciço em pacientes traumatizados é um desafio crítico na medicina de emergência e cirurgia. A coagulopatia induzida por trauma, que inclui a fibrinólise, é uma complicação comum e grave que contribui significativamente para a morbimortalidade. A fibrinólise é o processo de degradação do coágulo sanguíneo, e sua exacerbação pode levar a um sangramento incontrolável, mesmo após a reposição de componentes sanguíneos. O Protocolo de Transfusão Maciça (PTM) visa restaurar a homeostase rapidamente. A tromboelastometria (ROTEM ou TEG) é uma ferramenta valiosa que permite a avaliação em tempo real da função hemostática, identificando distúrbios como a hiperfibrinólise. Quando a tromboelastometria evidencia fibrinólise, a intervenção direcionada é crucial. O Ácido Tranexâmico (ATX) é um agente antifibrinolítico que atua inibindo a ativação do plasminogênio em plasmina, prevenindo a degradação do coágulo. A administração precoce do ATX (dentro de 3 horas do trauma) em pacientes com sangramento significativo demonstrou reduzir a mortalidade. Em casos de fibrinólise persistente ou sangramento contínuo, a repetição da dose de 1 grama de ATX é uma conduta recomendada para otimizar a inibição da fibrinólise e melhorar os resultados hemostáticos. É fundamental para residentes compreender a fisiopatologia da coagulopatia no trauma e o uso guiado por exames como a tromboelastometria para um manejo eficaz.
Fibrinólise é a quebra do coágulo sanguíneo. No trauma grave, uma hiperfibrinólise pode ocorrer, levando à destruição prematura dos coágulos formados e resultando em sangramento persistente e incontrolável.
O Ácido Tranexâmico deve ser administrado o mais precocemente possível, preferencialmente dentro de 3 horas do trauma, em pacientes com sangramento significativo ou risco de sangramento maciço.
A tromboelastometria fornece uma avaliação rápida e abrangente da coagulação em tempo real, permitindo identificar distúrbios específicos como fibrinólise, deficiência de plaquetas ou fatores de coagulação, e guiar a terapia transfusional e medicamentosa de forma direcionada.
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