ACLS: Manejo de Fibrilação Ventricular e Uso de Adrenalina

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 58 anos, com histórico de hipertensão arterial e tabagismo ativo, é admitido na unidade de emergência com queixa de dor retroesternal opressiva de forte intensidade iniciada há duas horas, irradiada para o membro superior esquerdo. Durante a realização do eletrocardiograma inicial, o paciente apresenta perda súbita de consciência e apneia. O médico plantonista identifica a ausência de pulso central e inicia imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) com compressões torácicas de alta qualidade. O monitor cardíaco, acoplado através das pás do desfibrilador manual, revela fibrilação ventricular. É aplicado um choque de 200 J (bifásico) e retomada a RCP na proporção 30:2 por dois minutos. Na checagem de ritmo subsequente, a fibrilação ventricular persiste. É aplicado o segundo choque (200 J) e reiniciada a RCP. Durante este segundo ciclo de compressões, a equipe de enfermagem obtém um acesso venoso periférico calibroso em antebraço direito. Com base nas diretrizes de Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS), a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Administrar 1 mg de adrenalina por via intravenosa imediatamente e manter a RCP, reservando o uso de antiarrítmicos para após o próximo choque, caso a arritmia persista.
  2. B) Administrar 1,5 mg/kg de lidocaína por via intravenosa como primeira escolha farmacológica, visto que o quadro sugere um evento isquêmico coronariano agudo como causa da parada.
  3. C) Priorizar a intubação orotraqueal imediata com interrupção das compressões por até 30 segundos e administrar 1 mg de adrenalina apenas após a confirmação do posicionamento do tubo.
  4. D) Administrar 300 mg de amiodarona por via intravenosa agora para tentar a reversão do ritmo chocável e postergar o uso de adrenalina para o quarto ciclo de RCP.

Pérola Clínica

VF/pVT persistente → Adrenalina após 2º choque; Antiarrítmico após 3º choque.

Resumo-Chave

No algoritmo de ritmos chocáveis (VF/TVSP), a adrenalina deve ser administrada após o segundo choque falho, enquanto antiarrítmicos são reservados para após o terceiro choque.

Contexto Educacional

O manejo da Fibrilação Ventricular (FV) baseia-se na desfibrilação precoce e RCP de alta qualidade. A fisiopatologia da FV envolve uma atividade elétrica caótica que impede a contração ventricular coordenada, levando ao colapso hemodinâmico imediato. O uso da adrenalina visa a vasoconstrição periférica para otimizar o fluxo sanguíneo para os órgãos vitais durante as compressões. Estudos mostram que a administração precoce de adrenalina em ritmos não chocáveis é crucial, enquanto em ritmos chocáveis, o foco inicial é o choque. A transição para o suporte farmacológico ocorre quando a desfibrilação inicial falha, seguindo a cronologia: Choque 1 -> RCP -> Choque 2 -> RCP + Adrenalina -> Choque 3 -> RCP + Antiarrítmico.

Perguntas Frequentes

Quando administrar a primeira dose de adrenalina na VF/TVSP?

De acordo com as diretrizes do ACLS, a primeira dose de 1 mg de adrenalina (epinefrina) deve ser administrada após o segundo choque, assim que o acesso venoso ou intraósseo estiver disponível, durante as manobras de RCP. Não se deve interromper as compressões para administrar a droga. O objetivo é aumentar a pressão de perfusão coronariana e cerebral através do efeito alfa-adrenérgico, aumentando as chances de retorno à circulação espontânea no próximo ciclo.

Qual a dose e o momento dos antiarrítmicos na parada cardíaca?

Os antiarrítmicos, como a Amiodarona (300 mg na primeira dose) ou Lidocaína (1 a 1,5 mg/kg), são indicados apenas após o terceiro choque em casos de VF ou TVSP refratária. Eles não substituem a adrenalina, mas agem em conjunto para estabilizar o miocárdio e facilitar a desfibrilação bem-sucedida. A administração ocorre durante o ciclo de RCP que segue o terceiro choque.

A via aérea avançada é prioridade na PCR em ritmo chocável?

Não. A prioridade absoluta são as compressões torácicas de alta qualidade e a desfibrilação precoce. A via aérea avançada pode ser considerada se a ventilação com bolsa-valva-máscara for ineficaz ou se a RCP se prolongar, mas sua instalação não deve causar interrupções prolongadas nas compressões (máximo de 10 segundos) e não deve atrasar a administração de drogas vasoativas.

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