SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022
Um paciente de 48 anos de idade chega na emergência com quadro de fibrilação atrial e assintomático. A melhor estratégia terapêutica nesses casos é:
FA > 48h ou tempo incerto → Anticoagulação ≥ 3 semanas OU ETE sem trombo + anticoagulação antes/depois da cardioversão.
Em pacientes com fibrilação atrial de duração incerta ou > 48 horas, a cardioversão imediata sem anticoagulação prévia é contraindicada devido ao alto risco de tromboembolismo. A estratégia segura envolve anticoagulação por pelo menos 3 semanas antes da cardioversão ou, em caráter de urgência, a realização de ecocardiograma transesofágico para excluir trombos atriais, seguida de anticoagulação.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente e associada a um risco significativo de eventos tromboembólicos, principalmente acidente vascular cerebral (AVC). O manejo da FA em pacientes assintomáticos na emergência exige uma avaliação cuidadosa da duração da arritmia, pois isso determina a estratégia de anticoagulação e o momento da cardioversão. A decisão entre controle de ritmo e controle de frequência, bem como a necessidade de anticoagulação, são pilares do tratamento. A fisiopatologia do risco tromboembólico na FA envolve a estase sanguínea no átrio esquerdo, especialmente na auriculeta, que favorece a formação de trombos. Em pacientes com FA de duração conhecida inferior a 48 horas, o risco de trombo é baixo, e a cardioversão pode ser realizada após anticoagulação imediata. No entanto, se a FA tem duração superior a 48 horas ou é de tempo incerto, o risco de trombo é elevado. Nesses casos, a cardioversão elétrica imediata sem preparo adequado é perigosa. A conduta correta para FA > 48 horas ou de tempo incerto que necessita de cardioversão envolve a anticoagulação terapêutica por pelo menos três semanas antes do procedimento ou, alternativamente, a realização de um ecocardiograma transesofágico (ETE) para excluir a presença de trombos atriais. Se o ETE for negativo para trombos, a cardioversão pode ser realizada, seguida de anticoagulação por no mínimo quatro semanas. A heparina não fracionada é uma opção para anticoagulação inicial rápida, especialmente em ambiente hospitalar.
A cardioversão elétrica é segura em FA de início recente (<48h) ou após 3 semanas de anticoagulação eficaz, ou se ETE excluir trombo em FA de duração incerta/longa.
O ETE é crucial para excluir trombos atriais em pacientes com FA de duração > 48h ou incerta que necessitam de cardioversão precoce, permitindo a reversão do ritmo com menor risco embólico.
A anticoagulação previne a formação de trombos no átrio esquerdo, que podem se desprender e causar eventos tromboembólicos, como AVC, após a restauração do ritmo sinusal.
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