AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente dá entrada na sala de emergência referindo dispneia intensa e desconforto torácico. Ao monitorar paciente percebemos PA = 160x70, FC = 160 bpm, FR = 32, sat = 88%, na ausculta pulmonar presença de estertores crepitantes até terço médio bilateral. Realizado eletrocardiograma, percebemos ausência da onda P e ritmo irregular. Diante do quadro clínico e da interpretação eletrocardiográfica, qual a melhor conduta a ser tomada?
Taquiarritmia + Sinais de Instabilidade (EAP, Hipotensão, Isquemia) → Cardioversão Elétrica Imediata.
Pacientes com FA e sinais de instabilidade hemodinâmica ou congestão pulmonar grave exigem cardioversão elétrica sincronizada imediata para restaurar o débito cardíaco.
A Fibrilação Atrial (FA) com resposta ventricular rápida reduz drasticamente o tempo de enchimento diastólico e elimina a contribuição atrial para o volume sistólico (a 'contração atrial'). Em pacientes com reserva cardíaca limítrofe ou cardiopatia estrutural, isso resulta em queda do débito cardíaco e aumento súbito das pressões capilares pulmonares, levando ao edema agudo de pulmão. O manejo segue o algoritmo de taquicardia com pulso do ACLS. A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica através da sincronização do choque com o complexo QRS (cardioversão), evitando o disparo durante a onda T, o que poderia induzir fibrilação ventricular (fenômeno R sobre T). A sedação deve ser realizada se o estado do paciente permitir, mas não deve atrasar a cardioversão em casos de instabilidade extrema.
De acordo com o ACLS, os sinais de instabilidade que indicam cardioversão imediata são: hipotensão arterial, alteração aguda do estado mental, sinais de choque, desconforto torácico isquêmico ou insuficiência cardíaca aguda (como o edema agudo de pulmão). No caso clínico apresentado, a presença de dispneia intensa, estertores crepitantes (EAP) e saturação de 88% configuram instabilidade clara.
Para a Fibrilação Atrial, que é um ritmo irregular, as diretrizes recomendam uma carga inicial maior do que para ritmos regulares. No desfibrilador monofásico, a carga inicial recomendada é de 200 Joules. Em aparelhos bifásicos, a carga inicial costuma variar entre 120 a 200 Joules, dependendo do fabricante.
A adenosina e as manobras vagais são indicadas para taquicardias de complexo estreito e ritmo REGULAR (como a taquicardia por reentrada nodal). O eletrocardiograma do paciente mostra ausência de onda P e ritmo IRREGULAR, o que caracteriza Fibrilação Atrial. Além disso, o paciente está instável, o que torna a cardioversão elétrica a única conduta prioritária, independentemente do ritmo supraventricular.
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