UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Homem de 32 anos, hipertenso mal controlado, chega na urgência trazido por seu irmão que relata: paciente após ingerir grande quantidade de bebida alcoólica começou a queixar-se de taquicardia e dor precordial, em seguida foi ficando sonolento. Exame físico: sonolento, PA 80/60 mmHg, Fc 132 bpm, TEC > 3seg, sat 94% em ar ambiente; MV + bilateralmente com estertores em bases; ritmo cardíaco irregular em 2 tempos, com bulhas normofonéticas; restante do exame físico sem alterações. Monitorizado paciente e traçado o ECG a seguir, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta correta.
FA com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, isquemia) → Cardioversão elétrica sincronizada imediata + anticoagulação.
A presença de fibrilação atrial (ritmo irregular) associada a sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, dor precordial isquêmica, rebaixamento do nível de consciência) exige cardioversão elétrica sincronizada imediata. A anticoagulação deve ser iniciada, se possível, antes ou concomitantemente ao procedimento.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e irregular, resultando em um ritmo ventricular irregularmente irregular. Sua apresentação clínica varia desde assintomática até quadros graves de instabilidade hemodinâmica. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de instabilidade e agir prontamente, pois a conduta imediata pode salvar vidas. A FA é uma causa importante de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e insuficiência cardíaca. A fisiopatologia da FA envolve múltiplos mecanismos, incluindo reentrada, focos ectópicos e remodelamento atrial. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, como o caso descrito com hipotensão, taquicardia e sinais de hipoperfusão (TEC > 3s, sonolência), a FA está comprometendo gravemente a função cardíaca. A ingestão alcoólica pode ser um gatilho para a FA ('holiday heart syndrome'), especialmente em hipertensos mal controlados, exacerbando a disfunção miocárdica e a instabilidade. O tratamento da FA com instabilidade hemodinâmica é a cardioversão elétrica sincronizada imediata, que visa restaurar o ritmo sinusal e, consequentemente, melhorar a perfusão. A analgesia e sedação são essenciais para o conforto do paciente durante o procedimento. A anticoagulação é um pilar no manejo da FA para prevenir trombos, e deve ser iniciada o mais rápido possível, mesmo que a cardioversão seja realizada. O controle de frequência ou ritmo farmacológico é reservado para pacientes estáveis.
Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão arterial, choque, dor torácica isquêmica, alteração aguda do nível de consciência e sinais de insuficiência cardíaca aguda (como edema agudo de pulmão).
A cardioversão elétrica sincronizada é indicada imediatamente para pacientes com fibrilação atrial que apresentam instabilidade hemodinâmica, independentemente da duração da arritmia.
A anticoagulação é crucial na fibrilação atrial para prevenir eventos tromboembólicos, como AVC, devido à formação de trombos no átrio esquerdo. Em emergências, ela deve ser iniciada o mais rápido possível, mesmo que a cardioversão seja imediata.
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