INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente de 27 anos, com história de cirurgia cardíaca bem-sucedida para correção de comunicação interventricular há 10 anos, procura uma unidade de pronto-atendimento referindo palpitações de início súbito há 3 horas. Conta que foi a uma festa no dia anterior e que ingeriu bebida alcoólica em grande quantidade, vomitando durante a madrugada. Acordou com cefaleia e sede. O paciente está pálido, desidratado (1+/4+), taquipneico e apresenta cicatriz de esternotomia mediana. Apresenta pressão sistólica de 70 mmHg, a frequência cardíaca, conforme visto no monitor, está oscilando e a frequência cardíaca média está em 170 batimentos por minuto. A ausculta cardíaca revela um ritmo irregularmente irregular, com variação de intensidade da primeira bulha entre os batimentos.Nesse caso, a conduta adequada é a
FA com instabilidade hemodinâmica (PA 70 mmHg) → cardioversão elétrica sincronizada IMEDIATA.
Um paciente com fibrilação atrial de início súbito e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, sinais de hipoperfusão) deve ser submetido a cardioversão elétrica sincronizada de emergência. A ressuscitação volêmica pode ser tentada brevemente, mas não deve atrasar a cardioversão se a instabilidade persistir.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, caracterizada por um ritmo irregularmente irregular e ausência de ondas P no eletrocardiograma. A "Síndrome do Coração de Feriado" (Holiday Heart Syndrome) é um fenômeno bem descrito, onde o consumo excessivo de álcool pode precipitar episódios de FA, mesmo em indivíduos jovens e sem doença cardíaca estrutural prévia, como o paciente do caso, que teve uma CIV corrigida. A conduta em taquiarritmias depende fundamentalmente da presença de instabilidade hemodinâmica. O paciente apresenta hipotensão grave (PA 70 mmHg), palidez, desidratação e taquipneia, configurando um quadro de choque cardiogênico. Nesses casos, a cardioversão elétrica sincronizada é a terapia de escolha e deve ser realizada de forma imediata, sem atrasos. Administrar metoprolol ou amiodarona endovenosa seria inadequado e perigoso em um paciente hipotenso, pois poderiam agravar a instabilidade hemodinâmica. A ressuscitação volêmica pode ser considerada para corrigir a desidratação, mas não deve atrasar a cardioversão se a instabilidade persistir, pois a causa primária do choque é a arritmia. A restauração do ritmo sinusal é crucial para melhorar o débito cardíaco e a perfusão tecidual.
Os critérios incluem hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), sinais de choque (palidez, extremidades frias, rebaixamento de consciência), dor torácica isquêmica, insuficiência cardíaca aguda e edema agudo de pulmão.
É a ocorrência de arritmias cardíacas, principalmente fibrilação atrial, em indivíduos sem doença cardíaca estrutural aparente, após consumo excessivo de álcool, geralmente em feriados ou eventos sociais.
Embora a desidratação possa contribuir, a instabilidade hemodinâmica na FA com resposta ventricular rápida é primariamente causada pela perda da contração atrial e enchimento ventricular inadequado. A cardioversão elétrica restaura o ritmo sinusal e a hemodinâmica de forma mais eficaz e rápida.
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