SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Joana é uma mulher de 68 anos que tem uma consulta marcada no centro de saúde um dia após alta hospitalar. Traz resumo de alta: "Paciente com história de hipertensão, diabetes mellitus, hiperlipidemia e acidente vascular encefálico prévio, trazida ao pronto socorro por familiares no dia 03/11/2021 por palpitações e dispneia há 04 horas. O exame físico de entrada mostrou pulso irregular com frequência de 127 bpm. Realizado ECG com padrão de fibrilação atrial, hipertrofia de ventrículo esquerdo e ecocardiograma sem trombo em átrio esquerdo, sem sinais de insuficiência cardíaca e sem alteração valvar. Realizada cardioversão elétrica, sem reversão para ritmo sinusal. Evoluiu estável hemodinamicamente, mantendo ritmo de fibrilação atrial, Escore Cha2ds2vasc= 6. Recebe alta em 11/11/2021 com medicamentos para controle de frequência cardíaca e anticoagulação, após decisão conjunta para cessar novas tentativas de restauração do ritmo sinusal". Você avalia os novos medicamentos de Joana: propranolol 40mg de 12/12 horas e varfarina 5mg ao dia. Ela te mostra exames de ontem com razão normalizada internacional (RNI) 2.0 e creatinina 0.73. Ao final da consulta, Joana relata sua preocupação a respeito da varfarina, pois foi informada que a alimentação pode interferir na dose certa do remédio e questiona por quanto tempo ainda precisará tomar este medicamento. Diante desse caso, a orientação correta a ser dada à Joana é:
FA com CHA2DS2-VASc alto → Anticoagulação contínua e RNI alvo 2-3.
Pacientes com fibrilação atrial e alto risco tromboembólico (CHA2DS2-VASc ≥ 2 para homens, ≥ 3 para mulheres) necessitam de anticoagulação oral contínua para prevenção de AVC. A varfarina requer monitoramento regular do RNI e orientação sobre a dieta.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, associada a um risco aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) tromboembólico. A estratificação de risco, classicamente realizada pelo escore CHA2DS2-VASc, é fundamental para decidir a necessidade de anticoagulação oral. Pacientes com escore elevado (≥ 2 para homens, ≥ 3 para mulheres) têm indicação de anticoagulação contínua. A varfarina, um antagonista da vitamina K, é um anticoagulante oral eficaz, mas que exige monitoramento regular do RNI (Razão Normalizada Internacional) para garantir a faixa terapêutica (geralmente 2,0-3,0). Sua ação é influenciada por dieta (alimentos ricos em vitamina K), medicamentos e condições clínicas, o que exige educação do paciente e acompanhamento rigoroso. No caso de Joana, com CHA2DS2-VASc de 6, a anticoagulação é de fato contínua e por tempo indeterminado, visando a prevenção de eventos tromboembólicos. O RNI de 2.0 está dentro da faixa terapêutica, portanto, a dose de varfarina deve ser mantida, com retorno para novo RNI em 4 semanas para estabilização e acompanhamento.
O escore CHA2DS2-VASc avalia o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com fibrilação atrial não valvar, auxiliando na decisão sobre a necessidade de anticoagulação oral.
O RNI alvo geralmente é de 2,0 a 3,0 para a maioria dos pacientes com fibrilação atrial não valvar. Valores fora dessa faixa exigem ajuste da dose e monitoramento mais frequente.
A varfarina age inibindo a vitamina K. Alimentos ricos em vitamina K (folhas verdes escuras como couve, brócolis, espinafre) podem reduzir o efeito anticoagulante. É importante manter uma ingestão consistente desses alimentos, não eliminá-los.
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