Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015
Paciente, 72 anos, sexo feminino, com história de palpitações taquicárdicas de longa data. Relata duas internações devido à arritmia cardíaca. O ECG atual evidencia ritmo de fibrilação atrial. Está em uso de Losartan 50 mg (2x dia), hidroclorotiazida 25 mg, metoprolol 50 mg e AAS 100 mg. Ecocardiograma com HVE discreta a moderada e exames laboratorias normais. Em relação à prevenção de fenômenos tromboembólicos podemos afirmar, EXCETO que:
HAS-BLED ≥ 3 indica ALTO risco de sangramento, mas NÃO contraindica anticoagulação; exige CAUTELA e manejo dos fatores de risco.
Um escore HAS-BLED ≥ 3 indica um alto risco de sangramento, mas não é uma contraindicação absoluta para a anticoagulação em pacientes com fibrilação atrial e alto risco tromboembólico. Nesses casos, a anticoagulação ainda é indicada, mas com monitoramento rigoroso e manejo dos fatores de risco modificáveis para sangramento. O AAS tem eficácia limitada na FA e não substitui a anticoagulação plena.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, associada a um risco significativamente aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) tromboembólico. A prevenção de fenômenos tromboembólicos é um pilar fundamental no manejo da FA, guiada pela estratificação de risco. O escore CHADSVASC é amplamente utilizado para avaliar o risco de AVC, enquanto o escore HAS-BLED auxilia na avaliação do risco de sangramento. A decisão de anticoagular um paciente com FA envolve um balanço cuidadoso entre o risco de tromboembolismo e o risco de sangramento. Pacientes com alto risco tromboembólico (CHADSVASC ≥ 2 em homens, ≥ 3 em mulheres) geralmente se beneficiam da anticoagulação oral. As opções incluem antagonistas da vitamina K (como a warfarina) e os anticoagulantes orais diretos (DOACs/NOACs), que demonstraram eficácia e segurança comparáveis ou superiores, com menor necessidade de monitoramento. É um erro comum considerar um HAS-BLED elevado como contraindicação absoluta à anticoagulação. Na verdade, ele serve como um alerta para identificar e otimizar fatores de risco modificáveis para sangramento (ex: controle da pressão arterial, evitar AINEs). A terapia com AAS isolado tem eficácia limitada na prevenção de AVC na FA e não é recomendada como alternativa à anticoagulação plena em pacientes com alto risco. A avaliação da função renal é crucial para a escolha e ajuste da dose dos DOACs, especialmente da dabigatrana.
O escore CHADSVASC avalia o risco de eventos tromboembólicos em pacientes com fibrilação atrial, sendo crucial para decidir a necessidade de anticoagulação. Um escore ≥ 2 em homens ou ≥ 3 em mulheres geralmente indica anticoagulação.
Um escore HAS-BLED ≥ 3 indica alto risco de sangramento. Não contraindica a anticoagulação, mas exige monitoramento rigoroso e manejo de fatores de risco modificáveis, como hipertensão não controlada, uso concomitante de antiplaquetários ou álcool.
Os NOACs/DOACs (dabigatrana, rivaroxabana, apixabana) oferecem início de ação mais rápido, menor interação medicamentosa e alimentar, e não requerem monitoramento laboratorial frequente (INR), com eficácia e segurança comparáveis ou superiores à varfarina.
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