Fibrilação Atrial e Estenose Mitral: Manejo e Anticoagulação

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 77 anos se queixa de palpitação em repouso. Sem outras queixas. Nega doenças conhecidas ou uso de medicamentos. Ao exame físico, PA: 140 X 90mmHg, FC 116bpm, FR 15ipm, SpO₂ 98%. O ritmo cardíaco é irregular, a primeira bulha é hiperfonética e há sopro mesodiastólico em ruflar no apex do coração. Sem outras alterações ao exame físico. Ecocardiograma: ventrículo esquerdo de dimensões levemente aumentadas, sem déficits segmentares da contratilidade e fração de ejeção de 40%. Átrio esquerdo de volume muito aumentado. Estenose mitral moderada e insuficiência mitral moderada de morfologia reumática. Não se visualizam trombos.Eletrocardiograma; Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a prescrição CORRETA para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Bisoprolol e varfarina.
  2. B) Digoxina e enoxaparina.
  3. C) Diltiazem e rivaroxabana.
  4. D) Metoprolol e apixabana.

Pérola Clínica

FA em estenose mitral reumática → Controle de FC (betabloqueador) + Anticoagulação oral (Varfarina, NOACs contraindicados).

Resumo-Chave

O paciente apresenta fibrilação atrial (FC 116bpm, ritmo irregular) e estenose mitral reumática moderada. A estenose mitral de etiologia reumática, mesmo que moderada, é uma contraindicação para o uso de anticoagulantes orais diretos (NOACs/DOACs), sendo a varfarina a escolha para prevenção de tromboembolismo. Para controle da frequência cardíaca, betabloqueadores como o bisoprolol são a primeira linha.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, e sua ocorrência em pacientes com estenose mitral (EM) de etiologia reumática é uma associação clinicamente relevante. A EM reumática leva ao aumento crônico da pressão e volume no átrio esquerdo, predispondo à dilatação atrial e, consequentemente, ao desenvolvimento de FA. A FA, por sua vez, agrava a EM ao reduzir o tempo de enchimento diastólico, diminuindo o débito cardíaco e aumentando o risco de tromboembolismo sistêmico devido à estase sanguínea no átrio esquerdo dilatado. O manejo desses pacientes envolve dois pilares principais: controle da frequência cardíaca e anticoagulação. Para o controle da frequência, betabloqueadores (como bisoprolol ou metoprolol) são a escolha inicial, pois reduzem a frequência ventricular e prolongam o tempo de enchimento diastólico, melhorando o desempenho cardíaco. Bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (diltiazem) são uma alternativa, mas devem ser usados com cautela em pacientes com disfunção ventricular esquerda. Em relação à anticoagulação, a presença de estenose mitral reumática (mesmo que moderada) em FA é uma indicação formal para anticoagulação oral com varfarina. Os anticoagulantes orais diretos (DOACs/NOACs), como rivaroxabana e apixabana, são contraindicados nesta população, pois não foram estudados ou mostraram-se inferiores à varfarina em pacientes com valvopatia reumática significativa. A varfarina, com monitoramento rigoroso do INR, é essencial para prevenir eventos tromboembólicos, como o AVC isquêmico.

Perguntas Frequentes

Por que a estenose mitral reumática contraindica o uso de NOACs na fibrilação atrial?

A estenose mitral reumática, mesmo que moderada, é considerada uma valvopatia significativa que aumenta o risco de tromboembolismo na fibrilação atrial. Os estudos que validaram os NOACs excluíram pacientes com estenose mitral moderada a grave ou próteses valvares mecânicas, tornando a varfarina o anticoagulante de escolha para essa população.

Qual a conduta para controle da frequência cardíaca na fibrilação atrial com estenose mitral?

O controle da frequência cardíaca é fundamental. Betabloqueadores (como bisoprolol ou metoprolol) são a primeira linha, pois reduzem a frequência ventricular e prolongam o tempo de enchimento diastólico, beneficiando pacientes com estenose mitral. Bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (diltiazem, verapamil) também podem ser usados, mas com cautela em disfunção ventricular.

Quais são os achados clínicos e ecocardiográficos que sugerem estenose mitral reumática?

Clinicamente, a estenose mitral pode apresentar sopro mesodiastólico em ruflar no ápice, primeira bulha hiperfonética e, em casos avançados, sinais de hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita. Ecocardiograficamente, observa-se espessamento e fusão das comissuras valvares, restrição da abertura da valva mitral, aumento do átrio esquerdo e, frequentemente, disfunção ventricular esquerda.

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