Fibrilação Atrial e AIT: Manejo e Prevenção Secundária

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Mulher com 60 anos de idade, hipertensa, vai à consulta em Unidade Básica de Saúde porque apresentou quadro de parestesias e hemiparesia no membro superior esquerdo há uma semana, com reversão espontânea completa em 12 horas. Pressão arterial = 180x110 mmHg, ausculta cardíaca com ritmo irregular, em 2 tempos, exame neurológico sem alterações significativas. Traz tomografia computadorizada de crânio sem contraste, realizada no dia dos sintomas, que é normal. Realizou eletrocardiograma conforme mostrado abaixo - DII (traz exame semelhante feito há 60 dias): Qual outro fármaco, além do tratamento anti-hipertensivo, é o mais indicado para essa paciente como medida de maior impacto na prevenção de novos episódios do quadro neurológico?

Alternativas

  1. A) Warfarina.
  2. B) Clopidogrel.
  3. C) Ticlopidina.
  4. D) Atorvastatina.
  5. E) Ácido acetilsalicílico.

Pérola Clínica

FA + AIT/AVC → Anticoagulação oral (Warfarina ou DOACs) é a conduta de maior impacto na prevenção secundária.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clínico de AIT associado a ritmo cardíaco irregular (Fibrilação Atrial), o que configura alto risco cardioembólico, exigindo anticoagulação plena.

Contexto Educacional

A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum e um fator de risco independente para AVC isquêmico. A estase sanguínea no apêndice atrial esquerdo predispõe à formação de trombos que podem embolizar para a circulação cerebral. O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é um sinal de alerta crítico, indicando que um evento maior é iminente se a profilaxia adequada não for instituída. O manejo envolve a estratificação de risco pelo escore CHA2DS2-VASc (Congestão, Hipertensão, Idade ≥75, Diabetes, Stroke/AIT, Vasculopatia, Idade 65-74, Sexo feminino). A presença de AIT prévio confere alto risco, tornando a anticoagulação oral mandatória. A escolha entre antagonistas da vitamina K (Warfarina) e novos anticoagulantes orais (DOACs) depende de fatores como função renal, presença de próteses valvares e custo, mas o princípio da anticoagulação permanece soberano sobre a antiagregação simples.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação de anticoagulação na Fibrilação Atrial?

A indicação baseia-se no escore CHA2DS2-VASc. Pacientes com histórico de AVC ou AIT recebem automaticamente 2 pontos, o que já indica a necessidade de anticoagulação oral crônica para reduzir o risco de novos eventos embólicos sistêmicos, independentemente de outros fatores.

Por que a Warfarina foi a escolha nesta questão de 2013?

Em 2013, a Warfarina era o padrão-ouro e mais disponível para anticoagulação em pacientes com FA. Embora os DOACs (Apixabana, Rivaroxabana, etc.) sejam preferíveis hoje em muitos cenários, a Warfarina continua sendo a indicação clássica em provas e para FA valvar.

Qual o impacto do controle da pressão arterial nesse cenário?

Embora o controle pressórico seja fundamental para reduzir o risco cardiovascular global e prevenir AVC hemorrágico, em um paciente com FA e evento isquêmico prévio, a intervenção de maior impacto específico na prevenção de novos fenômenos embólicos é a anticoagulação.

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