INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher de 77 anos, professora de matemática aposentada, faz sua primeira visita à unidade básica de saúde (UBS) após mudar-se de região. Ela vai à consulta porque está sentindo dificuldade para segurar objetos e percebe que sua mão está mais fria. Conta que sente dor e formigamento na mão direita, os quais começaram subitamente ontem, por volta das 15h; ela não apresenta outras queixas. A paciente faz tratamento para hipertensão e para diabetes diagnosticados há mais de 10 anos. Ela toma, regularmente, enalapril 10 mg de manhã e metformina 850 mg, 3 vezes ao dia. Suas mucosas estão bem coradas e a ausculta cardíaca revela um ritmo irregularmente irregular com uma frequência aproximada de 60 a 80 batimentos por minuto e, ao exame, é possível perceber uma variação na intensidade do som da primeira bulha cardíaca de batimento para batimento. Além disso, não é possível visualizar onda a normal no pulso venoso jugular. O médico, então, examina a mão direita de forma comparativa e conclui que a mão está mal perfundida. A mão da paciente está pálida e o pulso radial direito está mais fraco se comparado com o esquerdo. O enchimento capilar está lentificado nos dedos da mão direita. A imagem a seguir apresenta um eletrocardiograma (ECG). Considerando o quadro clínico dessa paciente, faça o que se pede nos itens a seguir. a) Com base no ritmo cardíaco observado pelo médico no exame físico, qual é o diagnóstico clínico mais provável? Caso seja escrito mais de um diagnóstico, será considerado apenas o primeiro. (valor: 3,0 pontos) b) Cite três fatores de risco dessa paciente para o desenvolvimento da alteração de ritmo verificada no ECG. Serão pontuados apenas os três primeiros fatores indicados. (valor: 3,0 pontos) c) Quais devem ser as condutas médicas em relação à queixa principal da paciente? Definir quatro condutas. Serão pontuadas apenas as quatro primeiras condutas indicadas. (valor: 4,0 pontos)
Ritmo irregular + Pulso ausente/fraco + Mão fria → Embolia por Fibrilação Atrial (FA).
A Fibrilação Atrial é a principal fonte cardioembólica. Em idosos com dor súbita e má perfusão de extremidades, deve-se suspeitar de oclusão arterial aguda secundária à FA.
A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica, especialmente em idosos. Sua principal complicação é a formação de trombos no apêndice atrial esquerdo devido à estase sanguínea, que podem embolizar para o cérebro (AVC) ou periferia. O quadro de isquemia aguda de membro superior (dor, palidez, ausência de pulso, parestesia) é uma emergência médica que exige diagnóstico rápido e intervenção para salvar o membro e prevenir sequelas graves.
Os achados clássicos incluem um ritmo cardíaco 'irregularmente irregular' na ausculta, variação na intensidade da primeira bulha (B1) e ausência de onda 'a' no pulso venoso jugular (devido à perda da contração atrial efetiva). No ECG, observa-se ausência de ondas P, presença de ondas 'f' de fibrilação e intervalos RR variáveis.
A paciente apresenta três fatores de risco maiores: Idade avançada (77 anos), Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) de longa data e Diabetes Mellitus (DM). Estes fatores contribuem para o remodelamento atrial e fibrose, predispondo à arritmia e aumentando o escore CHA2DS2-VASc para risco de eventos tromboembólicos.
As condutas incluem: 1. Anticoagulação plena imediata (geralmente com Heparina não fracionada IV) para evitar progressão do trombo; 2. Proteção térmica do membro (sem aquecimento direto); 3. Analgesia vigorosa; 4. Avaliação urgente pela cirurgia vascular para revascularização (embolectomia ou trombolise) e exames de imagem (Doppler arterial ou Angio-TC).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo