Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Um homem de 58 anos, tabagista, sem antecedentes cardiovasculares, apresentou fibrilação atrial aguda de alta resposta ventricular; a avaliação cardíaca não demonstrou alterações estruturais significativas. Foi realizada cardioversão elétrica com sucesso. O médico decide, a seguir, pela administração de medicação voltada para a manutenção do ritmo sinusal. A droga mais apropriada, dentre as abaixo, é:
FA em coração estruturalmente normal + controle de ritmo = Propafenona (Classe IC) é a primeira linha.
Para manutenção do ritmo sinusal em pacientes com fibrilação atrial (FA) sem doença cardíaca estrutural, antiarrítmicos da Classe IC (propafenona, flecainida) são preferíveis. Betabloqueadores (metoprolol) e bloqueadores de canal de cálcio (verapamil) são para controle da frequência.
O manejo da fibrilação atrial (FA) se baseia em três pilares: anticoagulação para prevenção de eventos tromboembólicos, e o controle dos sintomas através da estratégia de controle da frequência ou do ritmo. A escolha entre as estratégias depende das características do paciente, sintomas e presença de comorbidades. A estratégia de controle do ritmo visa restaurar e manter o ritmo sinusal, sendo indicada principalmente em pacientes jovens e sintomáticos. Após a reversão da arritmia (cardioversão), a escolha do fármaco antiarrítmico para manutenção é crucial e depende fundamentalmente da presença ou ausência de doença cardíaca estrutural. Em pacientes sem doença estrutural, os antiarrítmicos da Classe IC (propafenona, flecainida) são a primeira linha devido à sua eficácia e perfil de segurança nesse cenário. Em contraste, em pacientes com doença cardíaca estrutural, como insuficiência cardíaca ou doença coronariana, os fármacos de Classe IC são proscritos pelo risco de pró-arritmia e aumento de mortalidade. Nesses casos, a amiodarona (Classe III) é o fármaco de escolha. Fármacos como betabloqueadores (metoprolol) e bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (verapamil) são utilizados para a estratégia de controle da frequência, não do ritmo.
Um coração estruturalmente normal, para fins de escolha de antiarrítmico, implica na ausência de hipertrofia ventricular esquerda significativa (geralmente > 1,4 cm), disfunção sistólica (FEVE < 40%), infarto do miocárdio prévio ou valvopatia moderada a grave.
O metoprolol é um betabloqueador (Classe II) e sua principal função no manejo da FA é o controle da frequência cardíaca, ou seja, diminuir a resposta ventricular. Ele não possui eficácia significativa para reverter a FA para ritmo sinusal ou para mantê-lo a longo prazo.
As contraindicações absolutas são doença cardíaca estrutural e doença do nó sinusal ou distúrbios de condução significativos. Seus principais efeitos adversos incluem alargamento do QRS, pró-arritmia (especialmente flutter 1:1), tontura, gosto metálico e broncoespasmo.
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